
Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques expôs a escalada da crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o julgamento que analisava o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, Gilmar enviou ao colega uma mensagem em que o acusava de estar em uma situação comprometedora e cobrava seu afastamento dos processos. As informações são do portal Metrópoles.

“Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar.
Nunes Marques respondeu pedindo respeito ao colega. “Me respeite Gilmar. Isso não é postura”, escreveu.
A discussão prosseguiu. Gilmar afirmou que não respeitaria quem, segundo ele, não se dava ao respeito e acrescentou: “Vc tem de sair do tse também”.
Nunes Marques rebateu: “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”.
Na sequência, Gilmar voltou a cobrar que o ministro abrisse suas contas antes de participar de julgamentos relacionados ao caso.
“Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso na turma”, escreveu o decano.
Nunes Marques respondeu que não teria problema em fazê-lo. “Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz. Tramoias…”, afirmou.
Gilmar então estendeu a cobrança aos familiares do ministro: “Verdade! De sua família…”.
A mensagem não chegou a ser lida. Segundo pessoas próximas a Nunes Marques ouvidas pela coluna do Metrópoles, o ministro bloqueou o contato de Gilmar após a troca e continua mantendo o colega bloqueado.
Divergência começou em julgamento sobre a PF
A discussão ocorreu durante o julgamento na Segunda Turma do STF que analisava a decisão relacionada ao afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.
De acordo com as informações divulgadas, Gilmar interpretou a atuação de Nunes Marques como parte de uma articulação com os ministros André Mendonça e Luiz Fux. Nunes Marques, por sua vez, negou ter qualquer atuação combinada e afirmou que não tinha nada a esconder.
A troca ocorreu em meio à crise desencadeada pelas investigações sobre o Banco Master e pelas divergências entre ministros do STF em torno das decisões tomadas durante o caso.
Mensagens sobre filho de Nunes Marques
A discussão ganhou novo contexto nesta terça-feira (15), após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro que citam Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques.
Conversas entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, mencionam um valor de R$ 500 mil mensais associado ao advogado. Em uma das mensagens, Rennó pergunta a Vorcaro se o pagamento deveria ser mantido.
A menção, porém, não comprova por si só que o valor tenha sido efetivamente pago nem estabelece vínculo entre Kevin Marques e o Banco Master. A defesa do advogado afirma que ele não prestou serviços ao banco e não recebeu dinheiro de Vorcaro. Segundo a assessoria, Kevin recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência Tributária por serviços jurídicos na área tributária, sem relação com o STF.
Nunes Marques também afirmou em plenário nesta terça-feira que o filho nunca trabalhou para o Banco Master e que não recebeu dinheiro de Vorcaro.
O ministro, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou suspeição e não participou da votação desta terça-feira sobre o procedimento envolvendo Alexandre de Moraes.
