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Gilmar manda Kassio “assumir que está ferrado” e ministro bloqueia colega
Publicado em 16/09/2026 10:40
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Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques expôs a escalada da crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o julgamento que analisava o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, Gilmar enviou ao colega uma mensagem em que o acusava de estar em uma situação comprometedora e cobrava seu afastamento dos processos. As informações são do portal Metrópoles.

“Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar.

 

Nunes Marques respondeu pedindo respeito ao colega. “Me respeite Gilmar. Isso não é postura”, escreveu.

 

 

A discussão prosseguiu. Gilmar afirmou que não respeitaria quem, segundo ele, não se dava ao respeito e acrescentou: “Vc tem de sair do tse também”.

 

Nunes Marques rebateu: “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”.

 

Na sequência, Gilmar voltou a cobrar que o ministro abrisse suas contas antes de participar de julgamentos relacionados ao caso.

 

“Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso na turma”, escreveu o decano.

 

Nunes Marques respondeu que não teria problema em fazê-lo. “Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz. Tramoias…”, afirmou.

 

Gilmar então estendeu a cobrança aos familiares do ministro: “Verdade! De sua família…”.

 

A mensagem não chegou a ser lida. Segundo pessoas próximas a Nunes Marques ouvidas pela coluna do Metrópoles, o ministro bloqueou o contato de Gilmar após a troca e continua mantendo o colega bloqueado.

 

Divergência começou em julgamento sobre a PF

 

A discussão ocorreu durante o julgamento na Segunda Turma do STF que analisava a decisão relacionada ao afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

 

De acordo com as informações divulgadas, Gilmar interpretou a atuação de Nunes Marques como parte de uma articulação com os ministros André Mendonça e Luiz Fux. Nunes Marques, por sua vez, negou ter qualquer atuação combinada e afirmou que não tinha nada a esconder.

 

 

A troca ocorreu em meio à crise desencadeada pelas investigações sobre o Banco Master e pelas divergências entre ministros do STF em torno das decisões tomadas durante o caso.

 

Mensagens sobre filho de Nunes Marques

 

A discussão ganhou novo contexto nesta terça-feira (15), após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro que citam Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques.

 

Conversas entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, mencionam um valor de R$ 500 mil mensais associado ao advogado. Em uma das mensagens, Rennó pergunta a Vorcaro se o pagamento deveria ser mantido.

 

A menção, porém, não comprova por si só que o valor tenha sido efetivamente pago nem estabelece vínculo entre Kevin Marques e o Banco Master. A defesa do advogado afirma que ele não prestou serviços ao banco e não recebeu dinheiro de Vorcaro. Segundo a assessoria, Kevin recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência Tributária por serviços jurídicos na área tributária, sem relação com o STF.

 

Nunes Marques também afirmou em plenário nesta terça-feira que o filho nunca trabalhou para o Banco Master e que não recebeu dinheiro de Vorcaro.

 

O ministro, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou suspeição e não participou da votação desta terça-feira sobre o procedimento envolvendo Alexandre de Moraes.

 

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