
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou nesta terça-feira (15) ter mantido relação de proximidade com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet afirmou que o único encontro presencial entre os dois ocorreu em abril de 2024, na presença de outras autoridades, e classificou como “brevíssima e banal” uma ligação intermediada por um advogado.

“Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal”, afirmou.
A manifestação ocorreu durante o julgamento de uma questão de ordem relacionada ao relatório da Polícia Federal que reúne mensagens extraídas do celular de Vorcaro e que também cita Gonet. O documento foi tornado público no início de setembro por decisão do ministro André Mendonça.
Gonet afirmou que decidiu fazer o esclarecimento para evitar “mal-entendidos” e disse ter ficado satisfeito com a manifestação de Mendonça de que, na avaliação do ministro, o material analisado não apontava para a prática de ilícito por parte do procurador-geral.
“Eu fico feliz que o ministro André Mendonça tenha reconhecido que não havia nada do que foi colhido que pudesse induzir a alguma prática de ilícito por parte do procurador-geral da República”, declarou.
Gonet defende atuação da PGR
O procurador-geral também defendeu a atuação do Ministério Público Federal nas investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo ele, o trabalho realizado pelo órgão teve como objetivo esclarecer os fatos e permitir o andamento da persecução penal.
“Quem analisa os fatos, sem viés, verá que o Ministério Público, no exercício do papel de titular da ação penal, foi preciso e foi correto”, afirmou.
Gonet acrescentou que a eventual investigação de uma autoridade com prerrogativa de foro depende da atuação do órgão competente do Ministério Público Federal.
Mensagens citadas no relatório da PF
O relatório da Polícia Federal (PF) registra contatos entre Vorcaro e Gonet intermediados pelo advogado Ciro Soares, que atuava para o Banco Master. Entre os registros está uma fotografia enviada por Soares a Vorcaro em março de 2025, acompanhada da mensagem: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Na sequência, foram registradas chamadas entre o advogado e o banqueiro. Segundo a PF, os registros indicam que Vorcaro teria conversado com Gonet por meio do aparelho de Soares.
Dias depois, Ciro Soares encaminhou a Vorcaro mensagens que atribuiu ao procurador-geral. Entre elas estava a frase “já estou com saudades de você”. O advogado também informou ao banqueiro que Gonet iria a Londres com o grupo para um evento.
O relatório também registra uma conversa sobre a possibilidade de participação do filho de Gonet no evento em Londres. Segundo as mensagens analisadas pela PF, Vorcaro autorizou posteriormente o pagamento das despesas de Pedro Gonet e de Ciro Soares. A viagem, porém, não chegou a ocorrer. Gonet afirmou posteriormente que não solicitou o custeio e que seu filho não viajou.
