
A ministra Cármen Lúcia acompanhou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e votou pela manutenção separada dos procedimentos que envolvem os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Com isso, o placar formal da questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes ficou em 4 a 3 pela separação dos casos.

O voto de Flávio Dino não foi contabilizado nessa etapa. Embora o ministro tenha se manifestado anteriormente pela reunião dos procedimentos, ele pediu vista antes da proclamação do resultado. Por isso, seu voto não integra o placar formal, e a posição de Dino deverá ser considerada quando o julgamento for retomado.
Ao justificar sua posição, Cármen afirmou que segue a orientação do relator e ressaltou a deferência à condução do processo por Fachin.
“Eu sou deferente sempre ao relator. Eu acho que a Relatoria tem assegurado a história deste Supremo Tribunal Federal.”
A ministra também fez uma manifestação incomum sobre o momento vivido pela Corte. Cármen disse estar “em estado de profunda consternação e tristeza” e afirmou que se sentia “um pouco até envergonhada” com a exposição do Supremo.
Segundo ela, a situação ocorre a menos de 20 dias das eleições, quando, em sua avaliação, o país deveria estar concentrado em outras questões.
“O Poder Judicial existe para tranquilizar o povo. Nós geramos intranquilidade, acho, e essa é a minha percepção.”
Cármen também afirmou que a crise provocou um “mal-estar cívico” e lamentou que os acontecimentos envolvendo o Supremo tenham ocupado o centro das atenções no período eleitoral.
A ministra disse ainda que não houve pressão sobre os integrantes da Corte para a tomada de posição.
“Não houve nenhuma pressão, ninguém pediu voto, em nenhum sentido.”
Ao longo da manifestação, Cármen defendeu a independência dos ministros diante da repercussão externa dos julgamentos e afirmou que decisões judiciais não devem ser tomadas a partir do clamor público.
Como ficou o placar
Com Cármen, os votos pela separação dos procedimentos foram de Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Pela reunião dos casos, votaram Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.
A discussão envolve a proposta de Gilmar para que os procedimentos relacionados a Moraes e Mendonça sejam analisados conjuntamente.
