
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) marcou para 25 de setembro, sexta-feira da semana que vem, a sessão que analisará mensagens que ligam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O procedimento foi aberto no início deste mês após pedido de parlamentares da oposição.

O relator é o conselheiro Francisco de Assis Sanseverino. Gonet também poderá ser ouvido no processo. Embora o CSMPF seja presidido pelo próprio Gonet, o vice-presidente Nicolao Dino de Castro assume a condução em questões que envolvam impedimento do procurador-geral. As decisões são tomadas por maioria de votos e publicadas no Diário Oficial da União, salvo nos casos sob sigilo.
O caso envolve mensagens de Vorcaro que foram identificadas pela Polícia Federal (PF). Em uma delas, o banqueiro questiona se poderia acionar Paulo Gonet e Andrei Rodrigues para tentar reverter medidas contra ele. “Não podemos reverter isso com Paulo e Andrei”, disse em mensagens. A PF interpreta a referência como uma menção ao PGR e ao diretor-geral da corporação.
Em outro registro, por meio de um interlocutor, Gonet afirmou sentir “saudades” de Vorcaro e chamou o banqueiro de “máquina”.
Pela Lei Orgânica do Ministério Público da União, cabe ao Conselho Superior avaliar eventuais crimes comuns atribuídos ao procurador-geral da República. Caso identifique indícios que justifiquem uma investigação, o órgão deve indicar um subprocurador-geral para conduzir a apuração.
Em defesa de 37 páginas apresentada ao conselho, Gonet negou ser amigo de Vorcaro e afirmou não ter “interesse pessoal” nos processos envolvendo o banqueiro e o Banco Master. O procurador-geral também classificou como levianas as sugestões do relatório da PF de que manteria uma relação promíscua com o empresário.
“Se o Sr. Daniel Vorcaro imaginava que alguém poderia, de alguma forma, pedir-me para que intercedesse por ele, isso não apenas não se concretizou, como essas mesmas referências a pedidos de socorro por meio de terceiros revelam, por si também, a falta de contato pessoal entre o Sr. Daniel Vorcaro e eu. Se houvesse essa facilidade de contato pessoal, ele não precisaria enviar mensagens para terceiros, rogando que falassem comigo”, escreveu Gonet.
O PGR afirmou ainda que encontrou Vorcaro apenas uma vez, em Londres, durante o I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em abril de 2024. Segundo Gonet, ele não sabia que o Master patrocinava o evento: “Até aquele momento, o sr. Daniel Vorcaro me era pessoa desconhecida. O Banco Master, que não constava como patrocinador do evento, até então, era para mim apenas uma instituição financeira em atividade aparentemente regular”.
