
O jornalista Claudio Dantas afirmou hoje (30), no programa Alive, no YouTube, que há uma tentativa de desqualificar o trabalho da imprensa investigativa no contexto do caso Banco Master.
“A gente está debatendo o caso Master, os desdobramentos, os depoimentos que se tornaram públicos e todas as consequências”, disse. Segundo ele, o tema também desperta interesse de outras comissões no Congresso. “Há pontos de interseção entre essas investigações”, afirmou, ao citar CPIs e CPMIs em curso.
Dantas disse que o direito da defesa de questionar vazamentos é legítimo. “Ele está na razão dele de reclamar de vazamentos da investigação”, afirmou, ao mencionar a atuação do advogado do caso. Para o jornalista, o problema está na tentativa de transferir essa responsabilidade à imprensa.
“O jornalista tem o dever de obter informação”, disse. “Não é obrigação do jornalista cuidar de vazamento de servidor público.”
O apresentador alertou para o uso recorrente de informações em off. Disse que o recurso é válido, mas precisa de critério. “Muita gente tem usado isso para emplacar narrativa”, afirmou. Segundo ele, há autoridades que atuam nos bastidores para divulgar versões por meio da imprensa.
“Eu já falei isso aqui antes, inclusive em relação a ministros do Supremo”, disse. “Se escondem e empurram agenda por meio de jornalistas.”
Dantas afirmou que viu reportagens com detalhes atribuídos ao conteúdo do celular de Daniel Vorcaro antes mesmo de qualquer perícia. “Peraí”, disse. “A delegada estava pedindo a senha para acessar o celular.”
Segundo ele, isso indica que o conteúdo ainda não havia sido analisado naquele momento. “Se ela está pedindo a senha, é porque não acessou”, afirmou.
O jornalista criticou relatos baseados apenas em versões não comprovadas. “Eu sou igual São Tomé”, disse. “Tenho que ver para crer.”
Dantas afirmou que não faz análise com base apenas em off. “Especialmente quando a informação é jogada assim”, declarou. Para ele, a credibilidade vem da comprovação ao longo do tempo.
“Se o sujeito denuncia e depois aquilo se prova mentira, você já sabe”, disse. “Esse aqui é mentiroso.”
O apresentador reagiu a artigos que acusam a defesa de tentar tumultuar o processo ao misturar temas. Segundo ele, o argumento inverte os fatos. “Quem está tumultuando são vocês”, afirmou, ao se referir a colunistas que acusam a imprensa.
Ele citou reportagens que anunciaram delações inexistentes. “Já foi desmentido”, disse. Para Dantas, isso reforça a necessidade de cautela na leitura das informações.
O jornalista rejeitou qualquer tentativa de criminalizar a imprensa investigativa. “A imprensa tem que ser livre”, afirmou. “Publicou mentira, quem perde a credibilidade é o jornalista.”
Em tom mais duro, reagiu a críticas direcionadas ao trabalho jornalístico. “Você está escrevendo artiguete tentando criminalizar a imprensa”, disse. “Aqui a gente não vai deixar isso acontecer.”
Dantas afirmou que transformar denúncias em crime é uma forma de blindagem institucional. “Usar a liberdade de imprensa para atacar a própria imprensa é contradição”, afirmou.
Em outro momento do programa, um comentarista criticou veículos tradicionais. Disse que parte da imprensa silenciou diante de decisões anteriores do Supremo. “Agora ficam com cara de espanto”, afirmou.
“Bateram palma para o Moraes”, disse. “Agora batem palma para o Toffoli.”
O advogado constitucionalista André Marsiglia questionou a condução do caso pelo STF. “Não faz sentido investigar primeiro e depois decidir se é competente”, afirmou. Segundo ele, essa lógica pode levar à nulidade dos atos.
“Primeiro você vê se é o juiz competente”, disse. “Depois você investiga.”
Marsiglia afirmou que o modelo em que o mesmo ministro investiga e julga foi normalizado. “O STF faz isso há sete anos”, disse. Ele citou o inquérito das fake news e relatou episódios em que nem a defesa nem a polícia tinham acesso aos autos.
“Esse é o caldo de cultura que nós normalizamos desde 2019”, afirmou.
A cientista política Júlia Lucy disse que há múltiplos interesses na divulgação de informações. “Tem muita gente interessada em divulgar essas matérias”, afirmou.
Ela citou reportagens sobre encontros entre autoridades e investigados. Disse que algumas apurações foram reafirmadas após negativas oficiais. “Mais de quatro pessoas presenciaram esse encontro”, afirmou.
Lucy mencionou contratos advocatícios ligados ao caso e questionou a falta de transparência. “Por que o Senado negou essa informação?”, perguntou. Segundo ela, a advogada envolvida é “uma pessoa-chave nesse quebra-cabeça”.
Ela também comentou a condução dos depoimentos. “A delegada estava lendo perguntas”, disse. Segundo Lucy, isso limitou a investigação. “Se ela tivesse estudado o caso, as perguntas viriam naturalmente.”
Para a cientista política, houve direcionamento. “Ela não estava livre para perguntar”, afirmou. “O conjunto probatório ficou limitado pelas perguntas determinadas.”
