
Dois terrenos de Ronaldinho Gaúcho foram utilizados como lastro para que uma empresa captasse R$ 330 milhões do Banco Master. De acordo com o jornal O Globo, os recursos foram, em seguida, direcionados a fundos de investimentos ligados à própria instituição de Daniel Vorcaro.
Procurados pelo jornal, os advogados do ex-jogador de futebol afirmam que ele não tinha conhecimento da emissão dos créditos e que a operação imobiliária original já havia sido cancelada.
Investigações apontam que o Master, por meio do Fundo City 02, do qual era único cotista, concedia empréstimos a pessoas jurídicas que, na sequência, repassavam quase todo o montante a fundos administrados pela Reag Investimentos.
De acordo com o jornal, parte das operações começava com a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), papéis lastreados em créditos imobiliários, como parcelas de financiamentos ou aluguéis futuros.
O objetivo dessa operação é antecipar recursos. A empresa recebe o dinheiro para construir o empreendimento, e os investidores recebem juros pelo capital emprestado.
Em agosto de 2023, a empresa Base Securitizadora emitiu R$ 330 milhões em créditos para a S&J Consultoria, segundo o Globo. O lastro incluía notas comerciais destinadas ao desenvolvimento de terrenos em Porto Alegre, entre eles dois imóveis de Ronaldinho.
Segundo advogados do jogador e sócios do empreendimento, o negócio não avançou. A defesa de Ronaldinho afirmou que negociações com as empresas União do Lago e Melk, iniciadas em 2021, não prosperaram devido à falta de licenças ambientais e pendências de IPTU.
O advogado de Darci Garcia da Rocha, sócio no empreendimento original, também declarou desconhecer a emissão dos CRIs e a destinação dos recursos.