
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, decidiu vender toda carteira adquirida do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O pacote, avaliado em R$ 21,9 bilhões, inclui carteiras de atacado, pessoas físicas e fundos de investimento.
Nesta quarta (04), Souza está em São Paulo para negociar os ativos na região da Faria Lima, que abrangem fundos de investimento e imóveis. Entre os bens à venda está um terreno na Marginal Pinheiros, próximo à Casa Fasano e ao complexo Cidade Jardim.
A operação é conduzida pela BRB Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A (BRB DTVM).
Ao site Metrópoles, Souza comentou sobre a venda das carteiras e afirmou que “o banco está tomando todas as providências de fortalecimento e preservação dos recursos dos clientes e do controlador, tanto do ponto de vista de liquidez quanto de capital e transparência”.
“O banco está cada vez mais forte e hoje tem uma gestão completa”, completou o presidente do BRB.
Além da venda dos ativos do Master, o banco ligado ao governo do DF elabora um plano de capital que prevê alternativas como a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) e empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
De acordo com Souza, caso a venda seja concluída, o BRB não precisará de aporte do governo do DF, que também era uma opção considerada pela instituição.
No ano passado, o BRB tentou adquirir o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central (BC) e atualmente é alvo de investigação da Polícia Federal (PF). As apurações apontam suspeita de fraude na venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas adquiridas pelo BRB durante as negociações com a instituição de Vorcaro.
Em depoimento à PF, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que a maior parte desses ativos foi recuperada, mas cerca de R$ 2 bilhões permanecem irrecuperáveis. A nova direção do banco busca levantar recursos para cobrir os prejuízos relacionados às carteiras fraudulentas.
O BRB precisará apresentar até sexta (06) seu balanço financeiro detalhando o impacto do rombo provocado pelas negociações com os ativos do Master.
Além da PF, do Ministério Público e do BC, a nova gestão do banco e uma auditoria independente também investigam o caso.