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Filho de Lewandowski atuou no STJ em caso ligado ao Master
Publicado em 30/01/2026 13:17
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O advogado Enrique de Abreu Lewandowski, filho do então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, atuou no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em dezembro de 2025, em favor da Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A. A empresa é investigada por fraudes em empréstimos consignados a servidores públicos de Mato Grosso e apontada como fornecedora de créditos que integraram carteiras do Banco Master. As informações são da Gazeta.

 

À época, Ricardo Lewandowski ocupava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do Lula, função encerrada em 8 de janeiro de 2026. A atuação do filho não configura ilegalidade, mas ocorre no contexto das investigações sobre o Banco Master, que teria pago cerca de R$ 5 milhões ao escritório ligado à família do ex-ministro no mesmo período.

 

Procurado, Ricardo Lewandowski afirmou à Gazeta não ter “qualquer conhecimento sobre eventual recurso no STJ” e disse que “afastou-se do exercício da advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como determina a legislação vigente”. A assessoria de Enrique Lewandowski não respondeu até a publicação. O espaço segue aberto.

 

 

A atuação foi identificada a partir de consulta à base pública do STJ. Consta no sistema um pedido de tutela cautelar antecedente protocolado pela Capital Consig contra o governo de Mato Grosso, que havia suspendido o cadastro da empresa para concessão de empréstimos consignados a servidores estaduais. Enrique Lewandowski aparece formalmente como advogado da companhia.

 

A tutela cautelar buscava suspender os efeitos da decisão administrativa que interrompeu novas contratações e descontos em folha de contratos já existentes. O pedido foi negado pelo relator, ministro Francisco Falcão, que entendeu não haver competência do STJ naquele estágio processual.

 

A suspensão dos consignados ocorreu após denúncias de irregularidades. Entre os indícios, a suspeita de repasse aos servidores de valores inferiores aos previstos nas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs). Relatório do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), divulgado em agosto de 2025, apontou inconsistências na maioria dos contratos analisados. Apenas 27.331 dos 90.149 contratos enviados por instituições financeiras à plataforma Fiscaliza Consignados não apresentaram irregularidades.

 

Cadeia de créditos

Segundo relato do Banco Central encaminhado ao Ministério Público Federal em julho de 2025, os créditos consignados sob suspeita circularam por uma cadeia de empresas até chegar a grandes instituições financeiras. O fluxo começou na Capital Consig, passou pela Cartos Sociedade de Crédito Direto e pela Tirreno Consultoria, até alcançar o Banco Master.

 

 

Entre janeiro e junho de 2025, a Tirreno teria vendido ao Master cerca de R$ 6,7 bilhões em operações. Em seguida, entre janeiro e maio de 2025, o Master revendeu essas carteiras ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões, incluindo prêmio estimado em R$ 5,5 bilhões.

 

O Banco Central informou que, em testes técnicos, não identificou fluxos financeiros compatíveis com os empréstimos em amostras analisadas. Também apontou falhas documentais, depósitos realizados com atraso e valores incompatíveis com os registrados nas CCBs.

 

As investigações seguem em andamento no âmbito da Operação Compliance Zero. Cartos, Master e Consig não se manifestaram até a publicação. O BRB informou que mantém compromisso com transparência e que está adotando medidas para mitigar riscos associados às carteiras adquiridas.

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