
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a investigação que apura a atuação de uma rede de influenciadores digitais supostamente mobilizada para descredibilizar o Banco Central após a liquidação extrajudicial do Banco Master.
A PGR deverá se manifestar sobre a competência do caso, indicando se as apurações devem permanecer sob supervisão do STF ou ser remetidas à primeira instância da Justiça. Após o parecer, Toffoli decidirá sobre o prosseguimento da investigação.
A Polícia Federal identificou cerca de 40 perfis em redes sociais que teriam sido contratados para integrar o chamado “Projeto DV”, referência às iniciais do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo a apuração preliminar enviada ao Supremo, o recrutamento dos influenciadores envolveu contrato de confidencialidade no valor de R$ 800 mil. As abordagens teriam ocorrido em meados de dezembro, com o objetivo de promover um bombardeio digital contra o Banco Central e investigadores ligados ao caso.
A PF avalia a existência de indícios de crimes como difamação e obstrução de Justiça. O inquérito foi aberto após relatos de influenciadores que afirmaram ter recebido propostas para divulgar conteúdos questionando a atuação do Banco Central na liquidação do Master.
Ao STF, a defesa de Daniel Vorcaro negou qualquer vínculo com os perfis investigados. Em manifestação encaminhada à Corte, os advogados afirmaram que o empresário “nega veementemente qualquer envolvimento ou conhecimento sobre qualquer prática de difamação ou disseminação de fake news em face do Banco Central”.
A defesa declarou ainda que Vorcaro “cumpre rigorosamente as medidas cautelares que lhe foram impostas”, apesar de considerá-las “desnecessárias e injustas”, e que tem colaborado com as investigações.
A existência de contratos com influenciadores foi revelada inicialmente pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Um dos abordados, o vereador de Erechim (RS) Rony de Assis Gabriel (PL), afirmou que lhe foram oferecidos “valores expressivos” para participar da ação. Ele disse ter sido procurado pelo marketeiro André Salvador, que mencionou um trabalho de “gerenciamento de reputação e gestão de crise de um executivo grande”.
Outro contato citado foi feito com o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP), em 21 de dezembro. Segundo os relatos, ambos recusaram as propostas.
A PGR não tem prazo definido para se manifestar sobre o caso. Após o parecer, caberá a Toffoli decidir se a investigação seguirá no STF ou será remetida à Justiça de primeira instância.
