
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que não teme as investigações da Polícia Federal que envolvem o Banco Master e disse estar “tranquilo e calmo” diante da possibilidade de delação do banqueiro Daniel Vorcaro.
A declaração foi dada em entrevista ao programa Giro Baiana, na terça-feira (27).
“Se ele delatar, eu acho ótimo. Tô aqui tranquilo e calmo”, afirmou o senador, ao comentar o avanço das apurações sobre o conglomerado financeiro.
Wagner negou qualquer envolvimento com irregularidades e disse que seu nome passou a ser associado ao caso apenas por ter conduzido, quando integrava o governo da Bahia, o processo de venda da antiga rede estatal de supermercados Cesta do Povo. Segundo ele, a operação foi legal e vantajosa para o Estado.
“Foi ótimo negócio vender. Aquilo me dava um prejuízo”, disse.
A negociação ocorreu entre 2017 e 2018, no âmbito da privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela Cesta do Povo. O ativo incluía o Cartão Cesta, benefício concedido a servidores públicos e aposentados, com desconto em folha. De acordo com Wagner, esse instrumento foi decisivo para tornar o negócio atrativo.
“Na venda da Cesta do Povo tava embarcado o Cartão Cesta”, afirmou.
O senador relatou que o empresário Augusto Ferreira Lima, responsável pela compra, ainda não atuava no sistema bancário à época.
“Era um cabra que vendia consignado no sindicato”, disse.
Segundo Wagner, Lima precisou buscar investidores para viabilizar o negócio, o que levou à entrada de Daniel Vorcaro, então à frente do Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master.
Wagner também negou ter qualquer relação com as operações financeiras investigadas e afirmou que não há recursos públicos do governo baiano aplicados na instituição.
“Pergunta se tem algum dinheiro do governo da Bahia aplicado no Banco Master… Não tem uma banda de conto nossa”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de envolvimento de outros políticos no caso, o senador afirmou acreditar que o esquema não se restringe a um único grupo.
“Tem muita gente embaixo da cama”, disse. Ainda assim, reforçou que não teme as investigações. “Estou muito à vontade, estou tranquilo e calmo com esse negócio.”
O parlamentar também negou ter feito indicações para cargos no banco. Ele classificou como “mentira” a informação de que teria articulado a ida do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para a instituição.
Sobre o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e do Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou apenas ter citado o nome.
“Não é que foi indicação minha, que não indiquei nada”, disse.
As investigações da Polícia Federal apontam suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito consignado e operações financeiras complexas no Banco Master. Augusto Lima deixou a sociedade da instituição em 2024 e assumiu o controle de outro banco responsável pela gestão do CredCesta. Preso na Operação Compliance Zero, ele é investigado por fraudes financeiras.
Apesar de admitir proximidade pessoal com o empresário, Wagner afirmou que nunca manteve negócios com ele.
“Eu fui na festa de aniversário da mulher dele, fui no casamento dele. Mas não tenho nenhum negócio com ele”, disse.
