
Nova acusação reconhece participação de Maduro com tráfico, sem vinculação formal a cartel
O Departamento de Justiça dos EUA recuou e revisou a acusação que ligava Nicolás Maduro ao “Cartel de los Soles”. De acordo com especialistas consultados pelo The New York Times, o termo é uma “gíria” da mídia venezuelana dos anos 1990, usada para se referir a autoridades corruptas envolvidas com o tráfico.
A nova acusação contra Maduro, apresentada nesta semana após a captura do ditador socialista, admite esse ponto, mantendo acusações de participação em conspiração de tráfico de drogas, mas abandonando a ideia de um cartel estruturado.
A versão revisada menciona o “Cartel de los Soles” apenas duas vezes, descrevendo-o como “sistema de clientelismo” e “cultura de corrupção” alimentada pelo dinheiro do tráfico, perpetuada por funcionários civis, militares e de inteligência corruptos do regime venezuelano.
Elizabeth Dickinson, do International Crisis Group, disse ao jornal que a nova acusação “é exatamente fiel à realidade” e que as designações anteriores não poderiam ser comprovadas em tribunal.
A acusação original de 2020, que citava o “Cartel de los Soles”, atribuía a Maduro ações como fornecimento de armas às Farc e tentativas de inundar os EUA com cocaína, mas carecia de comprovação concreta.
Na acusação apresentada nesta semana, o agora ex-ditador socialista, que antes era acusado de ser “chefe de uma organização terrorista narcotraficante”, passou a ser culpado de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas” e de lucrar com isso.