
Propostas do “projeto DV” previam contratos de até R$ 2 milhões
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, disse há pouco ao site g1 que a corporação vai investigar denúncias de que influencers teriam sido procurados para defender o Banco Master e atacar o Banco Central (BC), que liquidou a instituição de Daniel Vorcaro.
Nesta semana, os influenciadores de direita Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite disseram ter recebido propostas para divulgar, nas redes sociais, a narrativa de que o BC teria agido de forma precipitada ao liquidar o banco.
A estratégia incluía a publicação de vídeos que demonstrassem decisões judiciais favoráveis e colocassem em xeque a atuação da autarquia.
De acordo com a Febraban, que divulgou nota sobre o caso, “foi identificado, no final de dezembro, volume atípico de postagens com menções à entidade e seus representantes, referentes ao noticiário sobre liquidação de instituição financeira”.
“Está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”.
Segundo a jornalista Malu Gaspar, que teve acesso a documentos, mensagens e comprovantes de depósitos, contratos ligados ao “projeto DV” previam pagamentos de até R$ 2 milhões e cláusulas de sigilo absoluto, com o objetivo de evitar vazamentos e sustentar a aparência de mobilização espontânea contra o BC.
Os valores variavam conforme o alcance dos perfis:
Um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores teria recebido proposta de R$ 2 milhões por três meses de trabalho, com oito postagens mensais.
Em outro caso, de um perfil com menos de 500 mil seguidores, a oferta foi de R$ 250 mil pelo mesmo período e número de publicações.
E, em ao menos uma situação, o pagamento foi feito antes da postagem.
Segundo dois influenciadores ouvidos pela jornalista, o contratante final do “projeto DV” seria a agência MiThi: controlada por Thiago Miranda, ex-CEO e sócio do Grupo Leo Dias, com 10% de participação. O empresário Flávio Carneiro detém 60% do capital do grupo.