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Análise: Trump troca Cartel de los Soles por Foro de São Paulo
Publicado em 08/01/2026 13:23
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O DOJ de Donald Trump recuou na acusação de que Nicolás Maduro chefiava o Cartel de Los Soles. Segundo o NYT, os investigadores teriam se dado conta de que a designação do grupo criminoso não existe na prática e que seria uma espécie de ‘expressão popular’, consolidada pela imprensa venezuelana, para designar generais corruptos envolvidos com o narcotráfico. Os ‘sóis’ são as insígnias de seus uniformes.

 

Desde então, analistas lá em cá alegam que essa mudança reduz o impacto da acusação, aliviando para Maduro. Na verdade, penso que o efeito é inverso. A descaracterização do cartel tende a substituir o entendimento de que o governo venezuelano estaria infiltrado por uma organização criminosa, passando a caracterizar-se como parte de uma organização criminosa bem maior, de alcance regional.

 

Se não há dúvidas de que Maduro era o chefe de um regime autoritário, corrupto e narcoterrorista, o avanço das investigações — e uma eventual colaboração — poderá demonstrar seu papel dentro de um sistema de poder envolvendo outros governos de esquerda da região. Esse grupo teria se financiado com dinheiro do crime organizado, criando uma rede de proteção e incentivo para diferentes grupos criminosos.

 

Sabe-se que o Brasil da era PT — com Lula e Dilma — atuou por anos como braço financeiro do Foro de São Paulo, desviando bilhões do BNDES em obras superfaturadas tocadas por empreiteiras amigas em diferentes países, inclusive na Venezuela. Esse dinheiro enriqueceu muita gente e financiou muita eleição. Quando a Lava Jato estourou o esquema, a fonte secou e o dinheiro das drogas teria passado a fluir pelos mesmos canais.

 

 

É o que se extrai, pelo menos, dos depoimentos de Hugo Carvajal, ex-chefe da inteligência de Hugo Chávez, hoje preso nos EUA e submetido a um processo judicial no mesmo tribunal em que está o caso de Maduro. Colaborações de ambos também podem jogar luz sobre a expansão dessa cooperação regional a nível global, com alinhamento ao eixo autocrata antiocidental formado por China, Rússia, Irã e grupos terroristas.

 

Os EUA detêm informações detalhadas de como a Venezuela burlou sanções americanas para financiar o programa nuclear iraniano e vender petróleo para chineses e russos. Também já mapeou a rede de contas e offshores mantidas por Maduro no exterior — uma delas, na Suíça, recebeu mais de R$ 5 bilhões em ouro.

 

Cabe ressaltar que a prisão de Maduro, com sua potencial delação sobre essa rede internacional que ameaçava a soberania americana, se encaixa perfeitamente à nova Estratégia de Segurança Nacional (NSS) dos Estados Unidos — seria consequência dela, inclusive. Como ressalta o analista Marcos Degaut, em artigo recente, trata-se da “mais profunda reorientação da política externa americana desde o fim da Guerra Fria”.

 

“Um dos eixos centrais do documento é a redefinição do papel geopolítico dos EUA, transitando de uma superpotência com compromissos globais difusos para uma potência predominantemente hemisférica e retomando uma lógica estratégica anterior à Segunda Guerra Mundial. A ambição de presença universal cede lugar à priorização explícita do espaço geográfico considerado vital à segurança americana.”

 

 

Em resumo, Trump está redirecionando o poder dos EUA para expulsar China e Rússia de seu quintal latino-americano; e irá constranger — como acaba de fazer com colombiano Gustavo Petro — ou combater — como fez com Maduro — todos que forem considerados ‘desalinhados’, o que inclui Lula, naturalmente.

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