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Quatro delações do caso INSS aguardam definição da PF e da PGR
Por Silvio Cassiano da Silva
Publicado em 13/08/2026 12:26
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Quatro propostas de colaboração premiada de investigados no roubo do INSS estão há mais de quatro meses sem uma decisão da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os acordos envolvem personagens centrais das investigações e ainda não foram homologados nem rejeitados.

Virgílio se recusou a comentar sobre transações financeiras e a ligação de familiares com empresas investigadas

Estão nessa situação o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Oliveira, o ex-diretor de Benefícios do instituto André Fidelis, o filho dele, o advogado Eric Douglas Fidelis, e o empresário e lobista Maurício Camisotti.

 

O caso ocorre enquanto outras frentes da Operação Sem Desconto avançam. Na semana passada, a PF cumpriu medidas contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz. O Supremo Tribunal Federal também abriu três inquéritos para investigar o Lulinha após pedido da PF.

 

 

Propostas estão em negociação

Virgílio Oliveira está preso em Curitiba. Ele assinou com a PF um acordo de confidencialidade em janeiro e prestou depoimentos durante uma semana em abril. A proposta tem mais de 120 páginas de anexos e prevê a devolução dos valores desviados, segundo informações de O Globo.

 

O ex-procurador é apontado pela PF como um dos personagens centrais do esquema. As investigações indicam que ele teve participação na liberação de descontos considerados ilegais em benefícios de aposentados e que teria recebido R$ 7,5 milhões de Antonio Carlos Antunes, o “Careca do INSS”.

 

André Fidelis e Eric Douglas também apresentaram informações e anexos aos investigadores. Os dois prestaram depoimentos em março e aguardam uma resposta.

 

Fidelis é investigado por supostamente facilitar o esquema durante sua passagem pela Diretoria de Benefícios do INSS. A PF trabalha com a hipótese de que ele recebeu pagamentos por meio do escritório de advocacia do filho.

 

Camisotti refez proposta

A situação de Maurício Camisotti teve uma mudança no início do ano. A primeira proposta chegou à PGR em fevereiro, mas foi retirada depois que procuradores do Ministério Público Federal não participaram das negociações.

 

A defesa preparou uma nova proposta. Até agora, porém, não houve indicação de homologação.

 

Camisotti é apontado pela PF como um dos operadores financeiros do esquema. Segundo a investigação, ele controlava três entidades que movimentaram mais de R$ 1 bilhão com descontos em benefícios previdenciários. O empresário teria recebido ao menos R$ 43 milhões dessas organizações.

 

 

O esquema investigado teria movimentado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

 

Delações envolvem políticos e Lulinha

Embora os anexos sejam sigilosos, informações obtidas pela reportagem indicam que as propostas tratam de diferentes aspectos do esquema, incluindo o funcionamento das fraudes, a manutenção dos descontos, possíveis relações com políticos detentores de foro privilegiado e menções a Lulinha e Marcola.

 

Os investigadores afirmam que as negociações continuam e que existe interesse nos acordos. A discussão está concentrada nos benefícios e nas contrapartidas que seriam oferecidos aos colaboradores.

 

As defesas, por outro lado, demonstram preocupação com a possibilidade de as informações entregues nos depoimentos serem utilizadas antes da conclusão dos acordos. A avaliação é que isso poderia reduzir o valor das colaborações caso elas não sejam formalmente homologadas.

 

Personagens centrais do esquema

Dos principais investigados presos pela PF, apenas Antonio Carlos Antunes, o Careca do INSS, e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto não apresentaram propostas de colaboração.

 

Camisotti também aparece em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações consideradas suspeitas. Segundo a PF, ele realizou 17 saques em dinheiro vivo que somaram R$ 7,2 milhões entre 2018 e 2025.

 

A investigação considera que os saques podem estar relacionados à ocultação de patrimônio e à lavagem de dinheiro.

 

 

Virgílio Oliveira e André Fidelis também foram indiciados pela PF em outra frente do caso, relacionada à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), uma das maiores entidades investigadas no esquema.

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