
O presidente da Conafer, Carlos Lopes, foi preso na noite de ontem (12) pela Polícia Federal (PF). Indiciado no mês passado no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga a Farra do INSS, ele se apresentou voluntariamente à Superintendência da PF no Distrito Federal após permanecer foragido desde novembro de 2025.

Lopes será encaminhado ao sistema prisional depois dos procedimentos de praxe, segundo a PF. A Conafer é apontada pela PF como uma das principais entidades envolvidas no esquema. A organização está entre as que concentraram o maior volume de descontos considerados ilegais nas mensalidades de aposentados e pensionistas.
O aumento da arrecadação da entidade também levou Lopes a ser convocado para a CPMI do INSS em setembro do ano passado. Os valores passaram de R$ 6,6 milhões para mais de R$ 40 milhões durante o período em que houve intensificação dos descontos indevidos nos benefícios previdenciários, crescimento classificado como “vertiginoso”.
Ele foi preso na comissão, mas deixou a custódia após pagar fiança. Na ocasião, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o dirigente da Conafer havia mentido aos parlamentares, apesar de ter se comprometido a dizer a verdade.
“Ele tentou de todas as maneiras nos convencer de que se tratava de uma operação perfeitamente legal e correta. Não é, nós sabemos muito bem que isso é lavagem de dinheiro, dinheiro dos aposentados” afirmou.
Segundo Viana, Lopes omitiu informações durante o depoimento e tentou apresentar a operação da entidade como regular. Para o senador, a conduta poderia configurar crime de falsidade ideológica.
Além de comandar a Conafer, Lopes é pecuarista e proprietário do quiosque Jaguar, localizado na entrada do Aeroporto Internacional de Brasília. O estabelecimento, inaugurado em 2023, comercializa artesanatos indígenas e informa capital social de R$ 100 mil. A loja se apresenta como “a maior curadoria de arte indígena brasileira”.
