
O Brasil deverá encerrar o 3º mandato de Lula (PT) com a 2ª maior alta da dívida pública bruta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) entre os países do G20. Segundo levantamento do Farol da Oposição, do Instituto Teotônio Vilela, baseado em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), apenas a China registrará crescimento superior no período.

O estudo considera os anos de 2022, 2023, 2024 e 2025 e projeta que a dívida bruta brasileira passará de 83,9% do PIB, em 2022, para 96,5% do PIB ao fim de 2026. O aumento previsto é de 12,6 pontos percentuais. Na China, a elevação estimada é de 29,6 pontos percentuais.
De acordo com o levantamento, o desempenho brasileiro é pior que o de outros países emergentes, como África do Sul, México e Argentina, que apresentaram crescimento menor da dívida no mesmo período.
Caso a projeção do FMI se confirme, o endividamento do país atingirá o maior nível desde a crise fiscal enfrentada durante o governo Dilma Rousseff (PT). Entre 2015 e 2016, a dívida bruta saltou de 61,6% para 77,4% do PIB em meio à recessão econômica.
As projeções do FMI indicam ainda que a trajetória de alta deve continuar. A estimativa é que a dívida brasileira avance de 96,5% para 105,5% do PIB nos quatro anos seguintes, um acréscimo de 9 pontos percentuais.
Os números do FMI diferem das estimativas do Tesouro Nacional e do Banco Central porque cada instituição adota uma metodologia própria para calcular a dívida pública. Pelas projeções do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, a dívida passará de 71,7% do PIB, em 2022, para 83,6% do PIB ao fim de 2026, alta de 11,9 pontos percentuais.
Enquanto o FMI considera todos os passivos do governo geral, o Banco Central exclui alguns ativos e passivos específicos. Já o Tesouro Nacional contabiliza apenas a dívida pública federal, que representa parte do endividamento do setor público.
No grupo dos 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil também aparece entre os maiores aumentos da dívida pública. Segundo o levantamento, fica atrás apenas da Finlândia, com alta de 19,1 pontos percentuais, e da Polônia, com 16,9 pontos percentuais.
