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Caso Monark expõe nova crise no MP de São Paulo
Publicado em 10/07/2026 11:52
Últimas Notícias

A crise interna provocada pelo caso envolvendo o influenciador Bruno Aiub, o Monark, chegou ao órgão máximo do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ata da sessão do Colégio de Procuradores de Justiça revela que três moções relacionadas ao episódio foram rejeitadas por 27 votos a 10, aprofundando o embate entre integrantes da cúpula da instituição. Com informações da apuração de David Ágape, do portal A Investigação.

 

As propostas foram apresentadas pelo procurador Paulo Afonso Garrido de Paula. Uma defendia o ex-procurador-geral de Justiça interino Plínio Antônio Britto Gentil, outra prestava solidariedade à corregedora-geral Liliana Mercadante Mortari e a terceira fazia críticas ao atual procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. O colegiado decidiu não analisar o mérito das moções.

 

Segundo a ata, Garrido de Paula utilizou como fundamento uma carta enviada por Paulo Sérgio ao cientista político Fernando Schüler e citou reportagem publicada pelo portal A Investigação, que revelou o documento em maio deste ano. O material também serviu de base para justificar os pedidos apresentados durante a sessão.

 

A disputa interna teve origem após mudanças na condução da ação civil pública movida contra Monark.

 

Em março de 2026, o promotor Marcelo Otávio Camargo Ramos pediu a improcedência da ação, sustentando que as declarações do influenciador configuravam uma “defesa abstrata (embora equivocada) da liberdade de convicção e expressão”. Durante o afastamento temporário do procurador-geral para disputar a recondução ao cargo, Plínio Gentil substituiu o promotor responsável pelo processo. Ricardo Manuel Castro assumiu o caso e restabeleceu o pedido de condenação de Monark ao pagamento de R$ 4 milhões por danos morais coletivos.

 

 

Paralelamente, Marcelo Camargo Ramos passou a responder a procedimento disciplinar instaurado pela Corregedoria-Geral, enquanto a defesa de Monark acionou o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para questionar a substituição do promotor.

 

Carta do PGJ ampliou a crise

Na carta citada durante a sessão, Paulo Sérgio atribuiu exclusivamente a Plínio Gentil a decisão de retirar Marcelo Camargo Ramos do processo. Também afirmou que a substituição ocorreu em razão do caso Monark e classificou a mudança como uma medida “absolutamente inusual e reprovável sob o aspecto de segurança das manifestações ministeriais”.

 

O documento ainda diferenciou as atribuições da Procuradoria-Geral e da Corregedoria-Geral, esclarecendo que o procedimento disciplinar contra o promotor foi instaurado pela corregedoria e não pelo gabinete do procurador-geral.

 

Histórico político também entrou no debate

A reportagem de A Investigação destaca que Paulo Afonso Garrido de Paula, autor das moções, defendeu durante a sessão a necessidade de neutralidade institucional do Ministério Público. Ao mesmo tempo, a apuração reúne publicações feitas pelo procurador em redes sociais ao longo dos últimos anos em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com críticas ao bolsonarismo e à direita.

 

Segundo a publicação, esse histórico foi apontado como um elemento que amplia o debate sobre manifestações políticas de integrantes da instituição e sobre o discurso de imparcialidade adotado durante a reunião.

 

 

PGJ rebateu as críticas

Durante a sessão, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa respondeu às moções e rejeitou as críticas feitas à sua atuação. O procurador-geral afirmou que não buscou a imprensa para divulgar a carta enviada a Fernando Schüler e declarou que apenas respondeu diretamente ao colunista por entender que representava institucionalmente o Ministério Público naquele momento.

 

Ao final do debate, Paulo Sérgio afirmou que as moções continham um “viés crítico” e uma “narrativa” construída pelo autor das propostas. Na votação, o Colégio de Procuradores decidiu não conhecer nenhuma das três moções, encerrando sua tramitação sem análise do mérito.

 

Caso continua em diferentes frentes

Além da disputa interna no Ministério Público, o caso Monark permanece em andamento em outras instâncias.

 

A ação civil pública que pede R$ 4 milhões de indenização ainda aguarda decisão judicial. No CNMP, também segue sem conclusão a reclamação apresentada pela defesa do influenciador contra Plínio Gentil. Paralelamente, atos administrativos publicados pelo MPSP mostram a retirada de Marcelo Camargo Ramos da Promotoria da Capital e sua posterior designação para atuar em Botucatu, no interior paulista. Até o momento, não há manifestação oficial da instituição explicando essas movimentações funcionais.

 

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