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“O Estado sempre vai roubar o cidadão”
Publicado em 06/02/2026 14:52
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Durante o programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, nesta sexta-feira (6), a cientista política Júlia Lucy afirmou que não confia na gestão estatal de fundos previdenciários e criticou a obrigatoriedade de servidores públicos depositarem recursos em regimes controlados por governos.

 

A declaração ocorreu no contexto da operação da Polícia Federal contra integrantes da cúpula da Amprev, que apura suspeitas de irregularidades em investimentos feitos com recursos destinados à aposentadoria de servidores do Amapá.

 

Lucy disse que casos envolvendo fundos previdenciários não se restringem a um espectro ideológico e atingem gestões de diferentes campos políticos. Segundo ela, escândalos semelhantes ocorreram em estados governados pela esquerda e pela direita. Citou como exemplo o Rio de Janeiro e afirmou que a discussão ultrapassa a divisão ideológica tradicional.

 

 

Ao comentar a CPMI do INSS, Lucy afirmou que o regimento do Congresso prevê a instalação automática da comissão após a leitura dos requerimentos, o que ocorre durante sessões convocadas para análise de vetos. Disse que, apesar da regra, há tentativas de contornar o procedimento. Segundo ela, resta observar “como vão bolar isso”, ao destacar que o texto regimental é claro.

 

No debate sobre previdência, Lucy relatou decisão pessoal após as eleições de 2022. Disse que retirou recursos de um plano previdenciário e transferiu o dinheiro para fora do país. Avaliou que a previdência, em geral, remunera menos do que outras formas de investimento e afirmou que o risco aumenta quando os recursos ficam sob gestão do governo.

 

A cientista política mencionou situações envolvendo servidores do Amapá, do Rio de Janeiro e da Bahia, além de casos anteriores, como nos Correios. Disse lamentar que servidores públicos sejam obrigados por lei a contribuir com fundos cuja gestão, segundo ela, não inspira confiança.

 

Lucy afirmou que a indicação de dirigentes de fundos previdenciários é política e questionou a qualificação técnica dos nomeados. Citou o caso da Amapá Previdência e disse que o presidente da instituição foi indicado pelo senador Davi Alcolumbre. Também mencionou o RioPrevidência e criticou a ausência de critérios técnicos claros.

 

Ela citou ainda a gestão dos Correios, afirmando que o ex-presidente da estatal era ligado ao grupo Prerrogativas e foi indicado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao final de sua fala, declarou que o cidadão não deve confiar no Estado para gerir recursos financeiros e recomendou que as pessoas busquem alternativas de investimento.

 

“Porque o Estado sempre vai roubar o cidadão”, afirmou.

 

Na sequência, o analista político Ary Alcântara apresentou dados sobre o sistema previdenciário. Disse que a previdência privada no Brasil soma cerca de R$ 3 trilhões em ativos e que aproximadamente 30% da dívida pública é financiada por esses fundos. Avaliou que fundos fechados de previdência privada, com exceções pontuais, são bem geridos e citou como exemplo a previdência dos funcionários do Banco do Brasil.

 

Alcântara diferenciou os fundos fechados privados dos regimes próprios de previdência administrados por estados e municípios. Disse que, nesses casos, a governança é distinta e que a capacidade de intervenção do governo federal é limitada. Afirmou ainda que regras recentes em discussão não lhe agradam, mas evitou detalhar críticas.

 

O apresentador Cláudio Dantas afirmou que a operação da PF no Amapá reforça a percepção de que não há interesse em avançar sobre determinados nomes políticos. Disse que requerimentos relevantes foram adiados na CPMI do INSS sob o argumento de falta de consenso e que votações foram empurradas para a semana seguinte. Segundo ele, há sinais de resistência para aprofundar investigações relacionadas ao Banco Master.

 

A operação da PF apura a aplicação de cerca de R$ 400 milhões da Amprev em letras financeiras do Banco Master em 2024, valor equivalente a 4,7% do patrimônio líquido do fundo. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Macapá, inclusive na sede da previdência estadual.

 

Entre os alvos estão o presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, e dois conselheiros do comitê de investimentos. Jocildo foi indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre, que não é investigado. Em 2024, o próprio dirigente afirmou publicamente que sua nomeação ocorreu por indicação do parlamentar.

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