
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encerrou a parceria operacional com o Banco Master meses antes de a instituição financeira entrar em liquidação. A informação foi apresentada nesta quinta-feira (5) pelo presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que apura descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Segundo o dirigente, o convênio firmado em 2020 perdeu validade em setembro do ano passado e não foi prorrogado após crescimento contínuo de reclamações registradas por aposentados e pensionistas.
“Diante da quantidade de reclamações dos nossos segurados, entendemos por bem não renovar o acordo de cooperação técnica”, afirmou.
Waller ressaltou que a decisão ocorreu antes da liquidação do banco e antes da repercussão pública do caso. De acordo com ele, a orientação interna foi revisar contratos e procedimentos para evitar prejuízos aos beneficiários.
“Muito antes da liquidação e antes de qualquer órgão de controle falar sobre isso, a orientação foi passar um pente-fino”, disse.
Inconsistências nos registros
Durante a apresentação aos parlamentares, o presidente do INSS apontou dificuldades para validar parte relevante das operações atribuídas ao banco. Mais de 324 mil contratos estavam vinculados à instituição, mas cerca de 251 mil não tinham comprovação adequada nos sistemas de controle previdenciário.
Mesmo com o fim do acordo, os contratos antigos permaneceram ativos — a restrição passou a atingir apenas novos empréstimos. O banco foi notificado e participou de reuniões técnicas, mas, segundo o instituto, não esclareceu totalmente as pendências.
Diante disso, o INSS interrompeu repasses financeiros relacionados às operações, que somavam aproximadamente R$ 2 bilhões.
