
Em meio a prejuízos sucessivos e dependência crescente de crédito, os Correios anunciaram a venda de imóveis próprios em vários estados como nova tentativa de aliviar o caixa. A estatal pretende arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro com a alienação de ativos considerados ociosos.
Os primeiros leilões estão marcados para 12 e 26 de fevereiro e, nesta etapa inicial, 21 propriedades serão ofertadas de forma totalmente online, abertas a pessoas físicas e jurídicas.
A direção da empresa afirma que os recursos serão usados para modernizar operações logísticas e melhorar a sustentabilidade financeira, garantindo que a venda não afetará o atendimento ao público.
Os imóveis estão distribuídos em 12 estados — entre eles Bahia, Minas Gerais, Paraná e São Paulo — e incluem prédios administrativos, antigos centros operacionais, galpões, terrenos, lojas e apartamentos funcionais. Os valores iniciais variam de cerca de R$ 19 mil a R$ 11 milhões.
Na prática, a estatal tenta transformar patrimônio acumulado ao longo de décadas em dinheiro imediato para cobrir despesas correntes e investir na operação.
A venda acontece após deterioração acelerada do resultado financeiro. O prejuízo, que já passava de R$ 700 milhões em 2022, chegou à casa dos bilhões nos anos seguintes, obrigando a empresa a recorrer a empréstimos com garantia do Tesouro Nacional para manter atividades básicas.
Paralelamente, foi aberto um programa de desligamento voluntário que pode reduzir o quadro em até 15 mil funcionários até 2027, além do fechamento de unidades deficitárias e revisão de benefícios.
Apesar da expectativa de levantar R$ 1,5 bilhão, o histórico recente não anima: desde 2020, os Correios venderam pouco mais de R$ 45 milhões em imóveis. A estatal aposta que a ampliação do número de ativos e a realização digital dos leilões aumentará o interesse do mercado.
