
Os ministros do Supremo Tribunal Federaç (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli têm pressionado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para impedir a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, que pretende investigar, além da liquidação, possíveis irregularidades envolvendo familiares e aliados dos magistrados. As informações são do jornal O Globo.
O pedido de criação da comissão foi protocolado na última terça-feira (3) com 281 assinaturas – 42 senadores e 239 deputados –, acima do mínimo necessário de 27 senadores e 171 deputados. A bancada do PL lidera com 89 adesões.
Segundo fontes que acompanham as negociações, parte do STF teme que a investigação aprofunde o desgaste da corte, especialmente diante de decisões controversas de Toffoli no caso Master. Entre elas estão a imposição de sigilo às investigações, a realização de acareações antes da coleta completa de depoimentos e o encaminhamento inicial de material apreendido diretamente ao gabinete do ministro, posteriormente enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR).
A pressão também se relaciona a contratos envolvendo familiares dos magistrados. O contrato da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Master previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões. O documento indicava atuação junto a órgãos como Banco Central, Cade, Receita Federal e PGFN, sem registros públicos de atividades efetivas.
A oposição também pretende apurar conexões de Toffoli com o resort Tayayá, no Paraná. Parte da propriedade ligada ao ministro foi adquirida por fundos de investimento do pastor Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, levantando suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse.
Até agora, nem Alcolumbre nem o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) demonstraram intenção de autorizar a CPMI. Nos bastidores, Alcolumbre avalia criar uma comissão composta apenas por senadores, o que facilitaria o controle sobre a investigação.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), autor do requerimento, afirmou que a comissão busca investigar relações entre gestores privados, agentes públicos e autoridades, além de possíveis omissões regulatórias e interferências no Banco Central durante a liquidação extrajudicial do Master e negociações com instituições financeiras estatais.
Segundo o parlamentar, questões relevantes não foram totalmente exploradas nos depoimentos prestados ao STF, reforçando a necessidade de uma investigação independente no Congresso.
