
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega se reuniu ao menos cinco vezes, em 2024, com o chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, um dos assessores mais próximos do Lula.
O cargo é ocupado por Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Segundo a agenda pública do assessor, os encontros ocorreram em 11 de janeiro, 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro.
No último encontro, em 4 de dezembro, Mantega estava acompanhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O nome do banqueiro não constou na agenda oficial do assessor presidencial.
Naquele período, o Banco Master enfrentava problemas de liquidez. Mantega atuava como lobista em favor da operação de venda da instituição ao BRB (Banco Regional de Brasília).
Após a reunião com Marcola, Mantega e Vorcaro solicitaram um encontro com Lula. O presidente aceitou recebê-los, e a reunião ocorreu em seguida, no gabinete presidencial. A informação foi publicada inicialmente pelo jornalista Lauro Jardim.
De acordo com a jornalista Andreza Matais, participaram do encontro Lula, Daniel Vorcaro, Guido Mantega, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, Gabriel Galípolo, então indicado para assumir a presidência do Banco Central, e Augusto Lima, então CEO do Banco Master.
Durante a reunião, Vorcaro afirmou a Lula que pretendia, com o Banco Master, reduzir a concentração do sistema bancário brasileiro. Disse também que o BTG, de André Esteves, teria demonstrado interesse na compra do banco, sugerindo um valor simbólico de R$ 1, sob o argumento de falta de lastro. Relatou sentir-se pressionado e perguntou ao presidente se deveria vender o banco ou manter a operação.
Lula respondeu de forma enfática. Criticou o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato estava próximo do fim, fez comentários negativos sobre André Esteves e recomendou que Vorcaro seguisse sem vender o Banco Master ao BTG.
Durante o governo Lula, Mantega se reuniu ainda em outras duas ocasiões com Marcola no Planalto, em 8 de maio e 7 de novembro de 2023. Não há registros de reuniões entre os dois em 2025 e 2026.
Após a prisão de Daniel Vorcaro, Guido Mantega passou a defendê-lo em grupos de WhatsApp ligados ao PT, segundo fontes que participam dessas conversas. As mensagens indicavam a leitura de que o banqueiro teria sido alvo de ações de grandes bancos da Faria Lima para conter sua expansão.
Com o avanço das investigações e a revelação de fraudes envolvendo o Banco Master, Mantega moderou o discurso e passou a afirmar que a instituição não seria a única a adotar esse tipo de prática.
Mantega foi contratado por Vorcaro para atuar em um conselho consultivo do Banco Master e participou da articulação do encontro entre o banqueiro e o presidente Lula no fim de 2024.
