
O empresário José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, declarou nesta quinta-feira (22) que a empresa Maridt Participações, ligada à sua família, não possui mais qualquer vínculo com o resort de luxo Tayayá, situado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná. Segundo ele, a relação societária foi completamente encerrada em fevereiro de 2025.
Em nota pública, José Eugênio informou que a Maridt chegou a deter aproximadamente um terço das cotas do empreendimento, mas que a retirada ocorreu de forma gradual, por meio de duas transações realizadas em momentos distintos.
“A Maridt, empresa com sede em Marília/SP, esclarece que não integra atualmente o Grupo Tayayá”, afirmou.
De acordo com o comunicado, a primeira operação ocorreu em setembro de 2021, quando parte da participação foi vendida ao Fundo Arllen. O desligamento definitivo aconteceu em fevereiro deste ano, com a alienação do restante das cotas à empresa PHD Holding.
“A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas”, diz a nota.
José Eugênio ressaltou ainda que todas as movimentações foram feitas dentro da legalidade e comunicadas aos órgãos de controle. Segundo ele, “todos os atos e informações financeiras da Maridt estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil, conforme exigido pela legislação”.
A manifestação do irmão do ministro ocorreu após reportagens apontarem que parentes de Dias Toffoli estiveram ligados ao resort Tayayá em diferentes períodos.
O empreendimento ganhou destaque nacional após a revelação de que, além de familiares do magistrado, também contou com a participação de fundos de investimento associados ao Banco Master, instituição que é alvo de investigações por suspeitas de irregularidades financeiras.
O Tayayá passou a ter um novo controlador no fim de 2025, quando o controle societário foi assumido por Paulo Humberto Costa, advogado goiano que atua para a JBS, empresa do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Apuração da Folha de S.Paulo mostrou que o Fundo Arllen manteve participação relevante no resort até 2025 e também realizou aportes em uma incorporadora que tinha um primo de Dias Toffoli como sócio. O fundo ainda teria integrado estruturas financeiras citadas em relatórios do Banco Central sobre o funcionamento do Banco Master.
Já o portal Metrópoles revelou que o resort operaria, de forma irregular, um cassino com máquinas caça-níqueis e mesas de pôquer, sendo informalmente chamado por funcionários de “resort do Toffoli”, apesar de os familiares do ministro não figurarem mais oficialmente no quadro societário. Em fevereiro de 2025, a participação ligada aos parentes do magistrado teria sido vendida por cerca de R$ 3,5 milhões.