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Brasil condena repressão no Irã, mas se abstém em votação na ONU
Publicado em 23/01/2026 17:42
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A representação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas condenou, hoje (23), a repressão do regime do Irã contra manifestantes. Foi a primeira manifestação formal da diplomacia brasileira contra o uso de força desde o início da atual onda de protestos no país persa, em dezembro.

 

Durante a sessão em Genebra, o embaixador Tovar da Silva Nunes afirmou que o Brasil “condena fortemente o uso de força letal contra manifestantes pacíficos” e manifestou preocupação com relatos de prisões arbitrárias, crianças como alvo da repressão e bloqueios de internet, que, segundo ele, violam a liberdade de expressão e o acesso à informação.

 

Apesar da declaração, o Brasil se absteve na votação de uma resolução apresentada por países críticos do regime iraniano, como Alemanha, Reino Unido, Islândia, Macedônia do Norte e Moldova. O texto propunha a prorrogação das investigações independentes sobre possíveis violações de direitos humanos no Irã. A medida foi aprovada por 25 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções.

 

O posicionamento segue a linha adotada pelo Itamaraty em temas relacionados ao Irã. Na justificativa do voto, o embaixador brasileiro afirmou que “apenas o povo iraniano tem o direito soberano de determinar o futuro do país” e reiterou a oposição do Brasil a “medidas unilaterais coercitivas” contra Teerã.

 

Segundo o diplomata, sanções e pressões externas “impactam negativamente os direitos humanos da população” e agravam dificuldades econômicas, apontadas como pano de fundo das manifestações.

 

A sessão extraordinária do conselho foi convocada com apoio de cerca de 50 países, diante de relatos de repressão violenta e violações de direitos humanos em várias cidades iranianas. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, pediu o fim da repressão e classificou a resposta do regime como um padrão de “força esmagadora”.

 

O representante do Irã criticou a reunião e afirmou que os patrocinadores da iniciativa “nunca se importaram genuinamente com os direitos humanos dos iranianos”, atribuindo as críticas a interesses políticos e a sanções impostas ao país.

 

Na quarta-feira (21), o regime iraniano divulgou um balanço oficial de cerca de 3.000 mortos e afirmou que os protestos foram controlados. Organizações internacionais de direitos humanos estimam números superiores e relatam detenções em massa, apagões de internet e forte presença de forças de segurança.

 

A resolução aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos busca estender por dois anos o mandato da investigação criada em 2022, após a onda anterior de protestos no Irã.

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