
O governo dos Estados Unidos passou a tratar Cuba como o próximo foco de pressão política na América Latina após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. A informação foi divulgada pelo The Wall Street Journal com base em fontes ligadas à administração Donald Trump.
Segundo o jornal, autoridades americanas estariam buscando interlocutores com vínculos com a ditadura cubana dispostos a negociar a saída do ditador Miguel Díaz-Canel e de seus aliados até o fim de 2026.
Na avaliação do governo Trump, a economia cubana entrou em estágio crítico após a queda de Maduro, o que teria fragilizado ainda mais o regime em Havana. Funcionários americanos apontam que não existe, até o momento, um plano formal para derrubar o regime comunista, mas avaliam que os efeitos da operação na Venezuela atingiram diretamente Cuba.
Em 11 de janeiro, Trump sinalizou publicamente a estratégia de pressão. Em publicação nas redes sociais, afirmou: “Sugiro fortemente que eles [cubanos] façam um acordo. ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”. Na mesma mensagem, acrescentou que “NENHUM PETRÓLEO OU DINHEIRO” seria enviado a Cuba.
De acordo com um funcionário da Casa Branca, sob condição de anonimato, representantes do governo se reuniram com exilados cubanos e grupos cívicos em Miami e Washington. O objetivo foi identificar integrantes do entorno de Díaz-Canel que estariam dispostos a dialogar com os Estados Unidos.
Embora Trump tenha declarado que o uso da força contra Havana é “desnecessário”, integrantes do governo afirmam reservadamente que a operação que resultou na captura de Maduro funciona como um recado indireto ao regime cubano.
Do lado de Havana, não há sinalização de abertura. No fim de semana, o Conselho de Defesa Nacional aprovou “planos e medidas” para a implementação de um “estado de guerra”, em meio ao aumento das tensões com Washington.