
Brasil ocupa 2º lugar no ranking mundial de reservas de terras raras, atrás apenas da China
O Ministério de Minas e Energia anunciou nesta tarde (22) o início dos estudos técnicos para a elaboração da Estratégia Nacional de Terras Raras, plano que pretende orientar o desenvolvimento organizado do setor no Brasil.
Segundo o ministério, o estudo servirá de base técnica para a definição de diretrizes, metas e instrumentos que permitam ao país avançar da extração primária para etapas de maior valor agregado, como o beneficiamento e a transformação mineral.
As “terras raras” são minerais estratégicos utilizados na fabricação de equipamentos de alta tecnologia, incluindo turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, celulares e sistemas de defesa. Apesar do potencial geológico relevante, a exploração e o processamento desses minerais ainda são limitados no Brasil.
De acordo com o governo federal, a proposta visa “fortalecer a base industrial e tecnológica nacional e reduzir riscos associados à dependência das cadeias globais de suprimento de terras raras”.
O plano também deve incluir diagnósticos sobre oportunidades de desenvolvimento da cadeia de valor, diretrizes de sustentabilidade, além de propostas de governança e monitoramento do setor.
Em nota, a secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, disse que a estratégia é “fundamental” para transformar o potencial mineral brasileiro em desenvolvimento econômico. “Queremos capturar mais valor no território nacional, com mais industrialização, conhecimento e fortalecimento da soberania do país sobre recursos estratégicos”, afirmou.
Na sexta passada (16), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco negocia um acordo de terras raras com o Brasil. “É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”, disse a alemã.
Além da UE, os Estados Unidos também demonstram interesse nos minerais brasileiros. Em outubro do ano passado, o encarregado de Negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, se reuniu com autoridades do setor e propôs um grupo de trabalho conjunto entre os países.
O Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial de reservas de terras raras, atrás apenas da China, com vastas reservas de argilas iônicas, uma das principais fontes naturais dos 17 elementos do grupo. O país também possui grandes reservas de cobalto, cobre, lítio, níquel e outros minerais estratégicos.