
Fernando Haddad confirmou ontem que deixará mesmo a Fazenda no próximo mês para se dedicar à campanha de reeleição de Lula. Não disse se será coordenador e deixou aberta a possibilidade de concorrer a algum cargo. “É uma conversa de amigos e companheiros. Não concluímos nada nessa 1ª conversa. Ele está colocando os pontos dele, eu estou colocando os meus, muito respeitosamente”, afirmou.
Pouco tempo atrás, o ministro sonhava em substituir o padrinho nas urnas em 2026 — sonho alimentado pelo canto da sereia de certos banqueiros. Hoje, vê essa possibilidade mais distante, diante da obsessão de Lula pelo quarto mandato, e tenta se cacifar para 2030. Até lá, tem sido sondado pelo mercado para integrar algum conselho, a fim de fazer um “pé de meia” pelos próximos anos.
Os bancos são muito gratos a Haddad e a seu pupilo Gabriel Galípolo. Os últimos anos foram de lucros recordes, impulsionados pela manutenção de juros elevados e expansão da carteira de crédito — com endividamento também recorde do cidadão comum, incluindo beneficiários de programas sociais. Em 2024, o lucro líquido dos quatro maiores bancos atingiu R$ 114 bilhões. Considerando os dados do terceiro trimestre de 2025, a tendência deve se manter.
Esses dados desmentem a narrativa populista de Haddad, que agora repete em entrevistas que “teve a coragem de taxar o andar de cima”; quando todos sabem que bilionários simplesmente transferem sua riqueza a outro país quando ameaçados por políticas confiscatórias. Quem fica é justamente o micro, o pequeno e o médio produtor, que acaba fechando as portas e desistindo de empreender diante de margens cada vez mais estreitas.
Haddad não está deixando o governo, ele está fugindo da tempestade que plantou com políticas arrecadatórias extorsivas, construídas para bancar a expansão irrefreável de gastos, alimentando um ciclo vicioso de privilégios cada vez maiores para os detentores do poder e um assistencialismo ineficiente e imoral. Quem paga a conta de hoje não conseguirá pagar a de amanhã.
O resultado é venezuelização da sociedade, com a fuga de investidores, a redução da base produtiva e o extermínio da classe média. É bom o petista arrumar um escritório bem confortável em algum andar alto da Faria Lima, pois duvido que consiga andar pelas ruas do Brasil quando deixar o poder.
