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PF suspeita que diretor da CVM favoreceu Vorcaro antes de virar advogado do Master
Publicado em 13/03/2026 12:28
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Investigação da Polícia Federal (PF) aponta suspeitas de que o diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Henrique Machado Moreira, favoreceu Daniel Vorcaro e depois passou a atuar como advogado em escritório que prestava serviços ao Banco Master. A informação é do Estadão. 

PF identifica risco sistêmico no caso Banco Master, cita cessões suspeitas de créditos e transferência de R$ 9 milhões a pai de Vorcaro.

Relatórios da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes do Master, indicam que, em 2019, a emissão de debêntures da empresa de investimentos Centara foi manipulada para desviar recursos do sistema financeiro aos cotistas do próprio banco de Vorcaro, captando irregularmente cerca de R$ 22 milhões. 

 

A PF aponta que o caso ilustra um padrão de crimes financeiros cometidos por Daniel Vorcaro, direcionando recursos a empresas sem capacidade econômica para transferir valores ao patrimônio pessoal do banqueiro e de familiares.

 

 

Segundo a investigação, recursos do antigo Banco Máxima, transferido para Vorcaro em 2019, foram repassados aos cotistas por meio dessa operação com debêntures. 

 

Na época, a CVM abriu apuração e confirmou irregularidades por parte de Vorcaro e outros investigados. Os alvos apresentaram proposta de termo de compromisso, pagando multa para encerrar o processo sem punição. 

 

Segundo a PF: “A área técnica da CVM emitiu parecer recomendando a rejeição dessas propostas. O diretor Henrique Machado foi designado como relator do caso. Inicialmente, solicitou vista do processo e, posteriormente, ao retornar ao Colegiado, apresentou proposta de aceitação dos termos de compromisso”. 

 

Com o encaminhamento de Machado, a CVM aceitou o termo de compromisso. Vorcaro pagou R$ 250 mil para encerrar o caso sem punição. 

 

A PF destacou ainda: “É notável que, aproximadamente seis meses após este voto, proferido próximo ao encerramento de seu mandato, deixou o cargo público e passou a integrar o escritório de advocacia Warde Advogados, que presta serviços ao Banco Master e a Daniel Vorcaro”. 

 

Em outubro de 2022, já como advogado da Warde, Machado participou de reunião na presidência da CVM sobre o Master, acompanhado de Walfrido Warde, fundador do escritório, e de Vorcaro. O tema registrado na agenda foi: “Apresentação institucional”. A ata da reunião foi anexada ao inquérito da PF. Machado permanece no quadro do escritório, que deixou de defender Vorcaro em janeiro. 

 

 

A investigação não solicitou diligências contra Machado e não aprofundou sua atuação enquanto diretor da CVM.

 

Henrique Machado Moreira, que foi diretor da CVM entre julho de 2016 e dezembro de 2020, afirmou ao jornal que “jamais manteve contato com os advogados do Master antes de deixar a comissão” e que “jamais recebeu proposta de trabalho” do banco enquanto ocupava o cargo. Ele disse ainda que o termo de acordo de Vorcaro foi aprovado após sua saída do órgão. 

 

O escritório Warde Advogados afirmou que a contratação de Machado respeitou todos os parâmetros legais de quarentena e que não houve irregularidades ou infrações éticas. 

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