
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses caso o presidente da França, Emmanuel Macron, recuse aderir ao chamado Conselho da Paz, iniciativa criada para supervisionar a Faixa de Gaza e, posteriormente, outros conflitos internacionais.
A informação foi divulgada pela Reuters. Segundo a agência, uma fonte próxima ao governo francês afirmou que Macron pretende rejeitar o convite para integrar o órgão, que será presidido por Trump.
Ao comentar a possível recusa, o presidente norte-americano afirmou: “Ele disse isso mesmo? Bem, ninguém o quer porque ele estará fora do cargo muito em breve”. Em seguida, acrescentou: “Vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes e, assim, ele vai aderir, mas ele não precisa”.
Um assessor de Macron disse à Reuters que o Palácio do Eliseu tem conhecimento das declarações e considera inaceitável o uso de ameaças tarifárias para influenciar a política externa de outro país.
Nesta terça-feira (20), Trump também divulgou em sua rede social, a Truth Social, o conteúdo de uma conversa privada com Macron. Na mensagem publicada, o presidente francês afirma não compreender a postura dos Estados Unidos em relação à Groenlândia. “Estamos totalmente alinhados em relação à Síria. Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã. Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia. Vamos tentar construir grandes coisas”, escreveu Macron. O francês também convidou Trump para um jantar em Paris na quinta-feira (22), mas o republicano não divulgou resposta.
O Conselho da Paz integra a segunda fase do plano dos Estados Unidos para encerrar o conflito em Gaza. O órgão terá como atribuições supervisionar o desarmamento do Hamas, coordenar a reconstrução do território e colaborar na formação de um governo pós-guerra na Faixa de Gaza.
O comitê executivo fundador inclui o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o investidor Jared Kushner e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Trump convidou mais de 12 países para participar da iniciativa, entre eles Argentina, Paraguai, Turquia, Egito, Canadá e Rússia. Os presidentes Javier Milei e Santiago Peña já aceitaram o convite. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda evita assumir compromisso formal com o conselho.
Na segunda-feira (19), Trump afirmou também ter convidado o presidente russo Vladimir Putin para integrar o grupo, ampliando o alcance político da iniciativa e gerando questionamentos sobre seus impactos na atuação do Conselho de Segurança da ONU.
