
A Prefeitura de Goiânia e o prefeito Sandro Mabel (UB) entraram novamente na mira da Polícia Civil (PC), que investiga possíveis crimes ambientais praticados no aterro sanitário da capital. Vale ressaltar que Mabel e o ex-prefeito Rogério Cruz já foram indiciados em outubro de 2025 por operar o local sem licença ambiental, em inquérito instaurado para apurar um suposto vazamento de chorume para o Córrego Caveirinha, no início de 2024.
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No último dia 6, a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) enviou um ofício para a Saneago solicitando informações se a empresa tinha capacidade para tratar com eficiência o chorume enviado pela prefeitura. De acordo com o delegado Luziano Carvalho, a especializada ainda aguarda um retorno para dar continuidade à investigação.
“O fato novo desta investigação é o chorume. Quero questionar como se pega o chorume no aterro e joga no Córrego Caveirinha, [Rio] Meia Ponte. O chorume precisa ser tratado”, reforça.
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A polêmica envolvendo o aterro sanitário de Goiânia já virou caso de justiça. No início do ano, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) contestou a decisão da Justiça que autorizou o encaminhamento de chorume do lixão de Goiânia para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Hélio Seixo de Brito, da Saneago.
No dia 2 de janeiro, a Justiça autorizou, de forma provisória, o envio do chorume para a ETE pelo prazo de 120 dias. Segundo a Semad, a estação possui licença ambiental apenas para o tratamento de esgoto doméstico e não para chorume, que tem carga poluidora e características distintas, exigindo estrutura específica.
A pasta afirma que, nas condições atuais, o efluente pode estar sendo tratado de forma inadequada, com risco de lançamento de contaminantes no Rio Meia Ponte. A secretaria informou ainda que, durante o processo de renovação da licença, a Saneago solicitou autorização para tratar o chorume, mas não comprovou tecnicamente a capacidade da unidade para receber esse tipo de efluente sem comprometer a qualidade do tratamento. Por isso, a empresa foi notificada a interromper o recebimento, com prazo encerrado em 4 de dezembro de 2025.
Procurada, a Saneago informou que irá responder a DEMA em tempo hábil e que não é responsável pela gestão do Aterro Sanitário de Goiânia e que o recebimento do líquido sempre ocorreu em caráter excepcional e colaborativo, como medida de mitigação de risco ambiental, diante da inexistência, por parte do município, de solução própria para o tratamento do efluente.
O Mais Goiás também procurou a Prefeitura de Goiânia, que informou ainda não ter sido notificada pela delegacia.