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Moraes coleciona queixas da família ao transferir Bolsonaro para a Papudinha
Publicado em 16/01/2026 13:19
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O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes citou a existência de uma “campanha fraudulenta” contra o Judiciário e reclamações feitas por familiares de Jair Bolsonaro ao determinar a transferência do ex-presidente da carceragem da Polícia Federal, em Brasília, para o Complexo da Papudinha.

 

Na decisão proferida nesta quinta-feira (15), Moraes afirmou que houve uma “sistemática tentativa de deslegitimar o regular e legal cumprimento da pena privativa de liberdade” de Bolsonaro. Segundo o ministro, as manifestações públicas buscavam criar a percepção de ilegalidade ou abuso, apesar das condições diferenciadas em que a pena vinha sendo cumprida.

 

 

“Ocorre, entretanto, que, mentirosa e lamentavelmente, vem ocorrendo uma sistemática tentativa de deslegitimar o regular e legal cumprimento da pena privativa de liberdade de JAIR MESSIAS BOLSONARO, que vem ocorrendo com absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente favoráveis em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro”, escreveu o magistrado.

 

 

Na decisão, Moraes reuniu entrevistas concedidas pelo senador Flávio Bolsonaro após visitas ao pai, nas quais criticou as condições da sala de Estado-Maior da PF, comparando o local a um “cativeiro”, questionando a “origem da comida” e reclamando do horário de visitas. O ministro classificou essas declarações como infundadas.

 

 

 

O despacho detalha os benefícios disponíveis a Bolsonaro na carceragem da Polícia Federal: sala de 12 m², quarto com banheiro privativo e água quente, televisão, ar-condicionado, frigobar, médico de plantão 24 horas, autorização para fisioterapia, banho de sol diário e exclusivo, realização de exames médicos e protocolo especial para entrega diária de comida caseira.

 

Moraes também mencionou manifestações do vereador Carlos Bolsonaro, do deputado Paulo Bilynskyj e da senadora Damares Alves, citadas como exemplos de críticas públicas à custódia do ex-presidente. Segundo o ministro, enquanto 384.586 presos em regime fechado convivem com superlotação, Bolsonaro permaneceu em cela exclusiva, com tratamento diferenciado.

 

A decisão aponta ainda que pedidos reiterados da defesa — como prisão domiciliar, acesso a Smart TV com YouTube e medidas específicas de fisioterapia — reforçaram a necessidade de transferência, diante da tentativa de caracterizar o cumprimento da pena como incompatível com a dignidade humana.

 

Ao justificar a mudança para a Papudinha, Moraes afirmou que o novo local oferece área maior, lavanderia, cozinha, área externa, cinco refeições diárias, possibilidade de exercícios físicos, ampliação do horário de visitas, posto de saúde e espaço adequado para receber familiares. A cela destinada ao ex-presidente tem área total de 64,83 m², sendo 54,76 m² cobertos e 10,07 m² externos.

 

 

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

 

Em dezembro, o Congresso aprovou um projeto que reduz penas para condenados por tentativa de golpe. O texto foi vetado pelo Lula, mas ainda pode ter o veto analisado pelo Legislativo.

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