
A declaração do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que “fiz o que tinha que fazer”, após a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha, repercutiu entre parlamentares de direita nesta sexta-feira (16).
A fala ocorreu durante a colação de grau de alunos do curso de Direito da Universidade de São Paulo. O comentário foi feito um dia depois da decisão que determinou a mudança do local de cumprimento da pena do ex-presidente.
A deputada Caroline de Toni (PL-SC) publicou vídeo nas redes sociais e classificou a declaração como “postura incompatível para um juiz”, ao defender “impeachment já”.
O deputado André Fernandes (PL-CE) afirmou que “os estudantes que aplaudiram Moraes hoje serão os futuros advogados, juízes, desembargadores etc.” e acrescentou: “Olavo (de Carvalho) tem razão: o trabalho de base jamais pode ser menosprezado”.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também reagiu. “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”, escreveu em publicação nas redes sociais.
“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.” pic.twitter.com/FsWs4zRr5z
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) January 16, 2026
O deputado Rodrigo Valadares (União-SE) declarou que “quando um magistrado brinca com a desgraça alheia, ele abandona qualquer aparência de imparcialidade”. Para ele, “o que vimos foi vingança política travestida de decisão judicial”.
Já o deputado Sanderson (PL-RS) afirmou que “o deboche escancara o viés” e defendeu que “o impeachment não é exagero, é necessidade institucional”.
A decisão
Moraes determinou a transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para a Sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A decisão menciona reclamações feitas por familiares e aliados sobre as condições da cela na PF.
No despacho, o ministro afirmou que “as medidas não transformam o cumprimento definitivo da pena de Jair Bolsonaro, condenado pela liderança da organização criminosa na execução dos gravíssimos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito e suas instituições, em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias”.
Durante o evento na USP, ao comentar a duração dos discursos, Moraes disse: “Acho que hoje eu já fiz o que eu tinha que fazer”, frase que passou a ser associada à decisão tomada no dia anterior e motivou a reação de parlamentares ligados ao ex-presidente.