
Acordei hoje com a velha notícia de que o Supremo desconfia de acesso ilegal de servidores do Coaf e da Receita a movimentações financeiras de ministros e familiares. A suspeita teria surgido após reportagens tratando do crescimento exponencial de escritórios de mulheres de ministros — com destaque para o contrato de R$ 130 milhões de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master.
Nos idos de 2019, houve contexto semelhante com reportagens tratando da “força tarefa” do Fisco que identificou 133 autoridades e familiares com inconsistências patrimoniais, entre elas Gilmar Mendes, Dias Toffoli e esposas. O ex-advogado do PT ainda enfrentava o risco da delação premiada de Marcelo Odebrecht, que havia entregue à Lava Jato e-mail com menção ao “amigo do amigo do meu pai”.
O momento era delicadíssimo e exigia uma resposta contundente. Abriu-se então de ofício o inefável Inquérito das Fake News, primeiro usado para investigar os auditores da Receita, depois para censurar a reportagem da Crusoé e, finalmente, para investigar “desinformação” e “discurso do ódio” de bolsonaristas contra nossas digníssimas autoridades.
Não era uma investigação em si, mas blindagem institucional.
Em 2007, operações policiais (Hurricane, Navalha) capturaram conversas nada republicanas de integrantes dos Três Poderes. Instalou-se, então, a CPI dos Grampos, que ganhou força mesmo, em 2008, após a divulgação de uma suposta conversa entre Demóstenes Torres e Gilmar, então emparedado por um pedido de impeachment devido ao polêmico habeas corpus para o banqueiro Daniel Dantas.
Em 2006, Antonio Palocci caiu após ser acusado de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos, que ousou contar à CPI dos Bingos sobre as visitas do então ministro da Fazenda a um casa de lobby no Lago Sul, em Brasília. O vazamento do extrato bancário do funcionário envolveu o presidente da Caixa e até seu assessor de imprensa, pai do repórter da revista Época (Globo) que publicou a matéria.
Parece déjà vù, mas é só o Brasil andando em círculos como um vira-lata prestes a fazer suas necessidades no nosso quintal — com todas as vênias aos excelentíssimos cãezinhos.