
Documento afirma que forças chinesas têm vantagem total sobre Exército de Taiwan
Relatório do Departamento de Guerra dos EUA enviado ao Congresso norte-americano afirma que a China “espera ser capaz de lutar e vencer uma guerra contra Taiwan até o final de 2027”. O documento avalia o avanço do poder militar chinês e projeta um cenário de confronto direto no Estreito de Taiwan.
O relatório, encaminhado em 23 de dezembro, é produzido anualmente pelo Pentágono e monitora o desenvolvimento das Forças Armadas da China. A edição mais recente compara o poderio de Pequim ao de Taiwan e conclui que o Exército de Libertação Popular (PLA) tem superioridade em todos os domínios do combate: terra, ar e mar.
Apesar do alerta, esta não é a 1ª estimativa de Washington sobre um possível ataque: em 2022, a Marinha dos EUA afirmou que a China poderia invadir Taiwan “antes de 2024”.
A principal vantagem chinesa está no poder naval, de acordo com o relatório americano. Com a incorporação do porta-aviões Fujian, em novembro, o PLA ampliou uma superioridade já considerada expressiva frente à Marinha taiwanesa.
Segundo o relatório, a formação de três porta-aviões é o mínimo necessário para garantir capacidade efetiva em um conflito naval de grande escala.
O Fujian é apontado como peça central da estratégia chinesa. O navio tem nível tecnológico comparável ao USS Gerald R. Ford, principal porta-aviões da Marinha dos EUA, e reforça a capacidade de projeção de força de Pequim no Pacífico.
Mesmo com vantagem militar direta sobre Taiwan, a China ainda enfrenta o peso da presença norte-americana na região. O relatório destaca que Pequim acelera investimentos em tecnologias de uso militar, como inteligência artificial e biotecnologia, além de expandir seu programa nuclear.
A tensão política aumentou em fevereiro do ano passado, quando o Departamento de Estado dos EUA retirou de seu site uma declaração que afirmava que Washington não apoiava a independência de Taiwan. A China reagiu dizendo que a mudança “envia um sinal errado… às forças separatistas que defendem a independência de Taiwan” e cobrou que os EUA “corrijam seus erros”.
Os EUA mantêm laços estratégicos com Taiwan, especialmente na importação de semicondutores e equipamentos eletrônicos, além da venda de armamentos. Em dezembro, Washington aprovou um pacote de US$ 11 bilhões em armas para a ilha, tratada por Pequim como uma província chinesa.
De acordo com o governo Trump, a estratégia dos EUA passa por pressionar aliados da chamada “1ª cadeia de ilhas” — Japão, Taiwan e Filipinas — a ampliar investimentos na indústria militar e sustentar o atual cenário de separatismo em relação à China.