
Ricardo Wagner Roquetti é o denunciante do suposto acesso de Filipe Martins ao Linkedin, motivo que levou Alexandre de Moraes a determinar hoje a prisão preventiva do ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro.
Em email enviado ao gabinete do ministro do STF, no dia último 28 de dezembro, o coronel-aviador disse que teve seu perfil visitado pelo de Martins. O acesso teria sido identificado por meio da ferramenta nativa “Quem viu seu perfil”.
“Eu não possuo relação com o referido indivíduo e não houve qualquer interação que justificasse tal visita. Ressalto que não posso afirmar com certeza se o acesso foi realizado diretamente pelo titular do perfil exibido ou por terceiro, porém, registro que o Linkedin apresentou o visitante com esse nome/perfil, motivo pelo qual comunico o fato para apuração institucional”, escreveu.
Na justificativa para o ato, Roquetti ressaltou que o “referido indivíduo estaria submetido a restrições judiciais quanto ao uso/acesso de redes sociais, inclusive por interposta pessoa”.
“Em razão disso, entendo que a ocorrência descrita pode indicar possível descumprimento de determinação judicial, o que justifica a comunicação imediata ao órgão competente”.
No email, o militar pediu também que sua identidade fosse mantida em sigilo, o que foi ignorado por Moraes. O próprio ministro incluiu o email em despacho sobre o caso, expondo o denunciante.
ATRITOS INTERNOS
Roquetti atuou como assessor e diretor no Ministério da Educação (MEC) durante a breve gestão de Ricardo Vélez Rodríguez. Em março de 2019, o então presidente pediu sua exoneração após atritos do militar com Olavo de Carvalho e aliados.
Ex-aluno de Olavo, Roquetti foi apresentado a Vélez pela deputada Bia Kicis (PL-DF) e logo ganhou a confiança do então ministro; obtendo carta branca para proceder remanejamentos internos na pasta. Logo entrou em conflito com olavistas, rebaixados de posto.
Também desgastou o recém-empossado governo ao levar Vélez a enviar a todas as escolas municipais uma carta em que cobrava imagens dos alunos cantando o hino nacional. O ministro também encerrava o texto com o slogan da campanha de Bolsonaro, o que é proibido por lei.
Em depoimento à PF no inquérito das Milícias Digitais, Roquetti também acusou Allan do Santos de tentar pressioná-lo para o direcionamento de contratos de publicidade da pasta, logo no início da gestão.