
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal apresente, em cinco dias, esclarecimentos detalhados sobre a suposta entrada de Filipe Martins nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022.
A ordem ocorre no âmbito da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Além de Martins, são réus no chamado núcleo 2 Fernando de Sousa Oliveira, Marcelo Costa Câmara, Marília Ferreira de Alencar, Mário Fernandes e Silvinei Vasques.
No despacho, Moraes registra que a PF chegou a investigar a versão da defesa, segundo a qual Martins não viajou à Flórida naquela data. A corporação, contudo, levantou a hipótese de que ele teria saído do país a bordo da aeronave presidencial, integrando a comitiva do então presidente Jair Bolsonaro, com destino a Orlando.
A entrada nos EUA fora confirmada pela PF a partir de consultas ao site do Department of Homeland Security (DHS), com base em dados de CPF, passaportes e data de nascimento do investigado. Porém, em 10 de outubro, a agência norte-americana U.S. Customs and Border Protection (CBP) divulgou nota oficial afirmando que Martins não ingressou no país naquela data e que o registro usado na investigação é incorreto.
Diante da contradição entre as bases de dados, Moraes quer que a PF detalhe os procedimentos adotados, a origem das informações e os elementos probatórios que sustentaram a conclusão inicial. A decisão busca dirimir as discrepâncias documentais antes do prosseguimento do processo.
