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Urgente: Flávio aciona STF contra Lula por whisky de R$ 500 mil dado por Vorcaro
Publicado em 23/10/2026 14:54
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu hoje (23) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de inquérito contra o presidente Lula por corrupção passiva e advocacia administrativa. O pedido tem como base uma garrafa de whisky The Macallan 1945, avaliada em cerca de R$ 500 mil.

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Segundo a peça, um presente de R$ 500 mil, dado por um banqueiro com interesses junto ao governo federal, não se enquadra como cortesia. “Numa República, o Palácio do Planalto não pode ter uma porta oficial para o público e outra, mais discreta, sigilosa e fora dos registros, para quem chega com ‘presentes’”, afirma o texto.

 

Segundo mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o banqueiro encomendou a bebida como presente ao petista. A safra coincide com o ano de nascimento de Lula.

 

 

A petição complementa a notícia-crime que Flávio apresentou em 23 de setembro, no Inquérito 5.026/DF. O documento cita reportagem da VEJA publicada na quinta-feira (22). Os advogados pedem que o caso siga para a Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

Flavio Bolsonaro – Peticao complementar NC Lula – Inq 5.026Baixar

Os advogados sustentam que o crime de corrupção passiva se consuma com o simples recebimento de vantagem indevida em razão do cargo. O tipo penal não exige a prática do ato em favor de quem oferece o benefício. A petição aponta que o presente faz parte de uma sequência de fatos que envolve o advogado Walfrido Warde, então defensor de Vorcaro.

 

Em 5 de setembro de 2024, Warde relatou ao banqueiro um encontro com Lula na véspera: “Estive com o Presidente Lula longamente ontem”. Sobre o assunto da conversa, disse: “Muito importante para você. Muito”.

 

A garrafa tinha chegada prevista para 31 de outubro. No dia seguinte, Warde escreveu a Vorcaro: “Bom dia. Preciso falar. Tenho um recado do MJ e do presidente. Quando nós nos vemos”.

 

Em 21 de novembro, o advogado avisou: “Tudo acertado aqui. Preciso das informações. Urgente. Quando você pode encontrar o presidente? Tudo ajustado”.

 

“Preciso dar pro lula”

A encomenda ocorreu na manhã de 29 de outubro de 2024, dois dias após o aniversário de Lula. Vorcaro pediu a um assistente, identificado como Leo Serrano Giunchetti, que conseguisse a garrafa com um fornecedor chamado “Aurel”.

 

“Outra coisa, pode ver se aurel consegue uma garrafa macallan 1945 naquela loja londres”, escreveu Vorcaro às 8h59. No mesmo minuto, completou: “Preciso dar pro lula”. Às 9h01, reforçou: “É pra presente”.

 

 

À tarde, o assistente enviou a foto de uma garrafa. Ele avisou que o rótulo não estava em perfeito estado e informou o preço: “Esta na casa dos €80k++”. O valor equivale a cerca de R$ 500 mil. Vorcaro respondeu em um minuto: “Ta otimo”.

 

Pouco depois, o assistente confirmou a rota da bebida: “Vira de Dubai num voo amanha!”. E concluiu: “Chega aqui na quinta, ok?”.

 

Reunião fora da agenda

O encontro ocorreu em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, sem registro na agenda oficial. Segundo a petição, a reunião teve a articulação do então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

 

No mesmo dia, Warde orientou o banqueiro: “Dica: abra o coração. Fale, ainda que elegantemente, mal do cara que quer te comprar. Fale exatamente o que você quer. É bala de prata”.

 

O advogado também mencionou um detalhe que passaria por telefone: “Sobre o futuro presidente da autarquia”. Para os advogados de Flávio, a referência aponta para o Banco Central. Gabriel Galípolo assumiu a presidência do BC semanas depois, em 1º de janeiro de 2025. A petição afirma que ele estava presente à reunião.

 

 

Após o encontro, Warde escreveu: “Parabéns. Soube que foi muito bom”. Em outra troca de mensagens, Vorcaro comentou: “Falou de festa na Grécia. Nem dei ainda, po”. Warde respondeu: “Ele quer participar…. Sem a Janja”. A petição reconhece que não há confirmação de que a festa ocorreu.

 

Em 22 de janeiro de 2025, Warde relatou a Vorcaro que Lula perguntou se o banqueiro estava “bem e mais tranquilo”. Segundo o advogado, o presidente “agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço”.

 

Para os advogados de Flávio, a expressão “mais uma vez” indica um agradecimento anterior. A petição levanta a hipótese de que o presente foi tratado na própria reunião de dezembro.

 

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