
A defesa de Lula (PT) pediu ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça o cancelamento do registro do canal de WhatsApp “Exército de Lula” como meio de comunicação da campanha. A petição foi protocolada ontem (22), no mesmo dia em que André Janones (Rede-MG), criador do canal, anunciou a inclusão do petista como administrador.

“Eu quero todo o exército do Lula pronto, porque a batalha vai ser dura e nós vamos derrotar os adversários. Estejam preparados. Às dezenove horas, a live do marechal e do general discutindo com seu exército. Vamos lá, gente!”, afirmou o presidente em vídeo publicado após sua inclusão no canal.
A defesa alega que o registro foi feito porque o presidente do TSE, Nunes Marques, condicionou o funcionamento do canal à anotação na ficha de candidatura. Posteriormente, o ministro autorizou a campanha petista a pedir o cancelamento do registro “a qualquer tempo”.
“A campanha presidencial do ora peticionário não dispõe de acesso de administração, não publica, não edita e não remove nada no canal”, afirma a petição.
Janones passou a atuar na linha de frente da campanha contra Flávio Bolsonaro (PL) e a distribuir tarefas à militância no canal, com o objetivo de tentar reverter a vantagem do adversário no primeiro turno.
O caso provocou um conflito de decisões entre Nunes Marques e o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, sobre a suspensão do canal. A disputa começou após pedidos da campanha de Flávio e avançou para um processo administrativo relatado pela Presidência do TSE.
Em 16 de outubro de 2026, o plenário aprovou uma resolução para estabelecer critérios que diferenciam canais vinculados a campanhas eleitorais de canais administrados por terceiros, em uma tentativa de reduzir a judicialização da disputa.
Pelas novas regras, basta o cumprimento de um dos seis critérios para caracterizar a vinculação: uso de recursos da campanha; troca habitual de materiais ou recursos humanos, exceto o mero compartilhamento de conteúdos publicados em canais oficiais; uso de suporte técnico ou tecnológico da campanha; divulgação do link do canal em perfis oficiais; atuação coordenada para direcionar seguidores dos canais oficiais ao canal questionado; ou orientação da campanha sobre conteúdo, frequência e metas das publicações.
A resolução também estabelece que o apoio político espontâneo, a menção isolada ao canal pelo candidato ou a participação pontual dele em conteúdo a convite do administrador não caracterizam, por si só, vínculo com a campanha.
Na quinta-feira (22), Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio e deu 24 horas para que a Meta apresentasse um relatório técnico detalhado sobre o canal “Exército de Lula”. O documento deverá analisar os horários das atividades para verificar se há atuação coordenada que caracterize vínculo com a campanha petista conforme as novas regras.
Previsto para esta sexta-feira (23), o relatório também deverá apontar a existência de publicidade paga ou padrões de engajamento artificial, além de detalhar mensagens encaminhadas ou excluídas.
