
Uma mensagem que circula entre militantes do PT no Rio de Janeiro classifica como “missão difícil” a lotação da orla de Copacabana no ato com o presidente Lula (PT) neste sábado (24). O evento é o último da campanha petista no Rio antes do segundo turno, marcado para domingo (25).

A mensagem pede que os apoiadores cheguem cedo. Segundo o texto, Lula passa pela praia de carro e não fica muito tempo no local.
“Bom dia ! Aviso importante . Lula chega na orla AMANHÃ – sábado às 10h e fica pouco tempo. Ele vai atravessar a praia de carro e a campanha quer que a orla já esteja lotada pra ele sair com a parada bombando”, diz o início da mensagem.
O texto segue com um apelo à militância. “Avisem as amigas e os amigos que pretendem ir pra rua sábado que a coisa vai ser de manhã cedo”, afirma.
O trecho final traz a expressão que resume o tom da convocação. “O carnalula vai se concentrar a partir das 8h da manhã. É pra lotar Copacabana desde cedo. Missão difícil , mas dadas as circunstâncias , muito necessário ! Bora pro último ato do Rio !”
Carro ou caminhada
A agenda oficial descreve outro formato. A campanha divulgou o evento como uma caminhada na orla, sob o lema “Brasil pronto pra Mais”. A concentração oficial começa às 9h no Posto 5, na Avenida Atlântica. A caminhada tem início às 10h.
A mensagem da militância antecipa a concentração para as 8h. O Sindsprev-RJ, sindicato que convoca o ato, também fala em 8h. A entidade afirma que o objetivo é a ocupação de toda a extensão da Avenida Atlântica.
O pouco tempo de Lula no Rio tem explicação na agenda. Na tarde do mesmo sábado, o presidente encerra a campanha com uma caminhada na Avenida Paulista, em São Paulo. A saída está marcada para as 16h, na Alameda Campinas.
A régua do dia 18
A militância petista mira um número alto. A meta é a superação do público do ato musical convocado por Caetano Veloso no domingo (18), também em Copacabana. O evento reuniu 32 atrações da música brasileira.
O bairro carrega um peso simbólico na disputa. Copacabana é o ponto tradicional das manifestações bolsonaristas no Rio. Flávio Bolsonaro (PL) encerra a caravana “Bloquinho do 22” no mesmo sábado, na Barra da Tijuca.
Os números da reta final
Flávio terminou o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. A pesquisa Datafolha mais recente mantém o senador à frente, com 47%, contra 46% do petista.
A campanha de Lula aposta nos próprios levantamentos. Na quinta-feira (22), o coordenador da campanha, Rafael Fonteles (PT), divulgou um vídeo sobre os trackings internos do partido. “Viramos, minha gente, pela primeira vez os nossos trackings apontam Lula à frente de Flávio nesse segundo turno”, disse. No mesmo vídeo, Fonteles pediu mais atividades da militância nos últimos dias.
O núcleo petista trata a abstenção como alvo central. No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores não foram às urnas.
Convocações em série
A mensagem de Copacabana integra uma onda de apelos à militância na reta final. Num ato em São Paulo na quinta-feira (22), o ex-ministro José Dirceu pediu que os apoiadores não abandonem as ruas. “Vocês pegaram a campanha do Lula pela mão neste segundo turno”, afirmou.
Nas redes, o deputado André Janones (Rede-MG) comanda o canal de WhatsApp “Exército do Lula”. O grupo faz uma live de 24 horas, do fim do debate da TV Globo, por volta das 23h desta sexta-feira (23), até as 23h de sábado. Durante a transmissão, Janones distribui “missões” aos seguidores.
Na terça-feira (20), o deputado fechou o canal até a marca de 7 milhões de inscritos. “Eu vou provar para vocês, matematicamente, que o Lula está reeleito”, declarou.
A campanha de Flávio levou o canal ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O PL acusa o grupo de divulgação de informações falsas. Janones nega.
