
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta quarta-feira (9) a suspensão do Procedimento de Controle Externo instaurado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a atuação da Polícia Federal na produção de relatórios de inteligência relacionados ao Caso Master. A medida vale até posterior deliberação da Corte.

Na decisão, Fachin determinou “a suspensão do Procedimento de Controle Externo objeto de comunicação pelo Ofício nº 696/2026 – ASSCRIM/PGR instaurado pela Procuradoria Geral da República até ulterior deliberação desta Corte”.
O procedimento foi aberto pela PGR após a divulgação de relatório da PF com mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O material reúne conversas que mencionam o ministro Alexandre de Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
As referências a Gonet incluem diálogos de Vorcaro sobre autoridades e pedidos relacionados à atuação da Procuradoria. Segundo reportagens, o conteúdo provocou preocupação entre integrantes da PGR. O procurador-geral, por sua vez, negou manter relação pessoal, profissional ou financeira com Vorcaro.
A PGR havia questionado a condução da apuração por André Mendonça e defendido a nulidade da ordem que levou à produção do material. Para Gonet, o ministro teria buscado elementos relacionados a outro integrante do STF sem prévia comunicação à Presidência e ao Plenário da Corte.
Na Petição 16.704, Fachin apontou que diferentes decisões passaram a tratar de fatos e autoridades parcialmente coincidentes. Segundo o presidente do STF, a sequência criou um “quadro de conflitos e sobreposições processuais”, com risco de decisões contraditórias.
No mesmo despacho, Fachin suspendeu a decisão de André Mendonça que havia afastado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Também suspendeu a decisão de Flávio Dino que havia determinado a reintegração dos dois.
O presidente do STF ainda suspendeu o andamento da Petição 16.662, sob relatoria de Mendonça, e determinou que qualquer procedimento sobre potencial investigação de ministros da Corte seja encaminhado previamente à Presidência.
Fachin convocou sessão extraordinária presencial do Plenário para 15 de setembro, às 10h, para analisar a Petição 16.662.
