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Mendonça ainda não viu ilegalidade em conduta de Faria
Publicado em 02/09/2026 12:15
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Fábio Faria é citado cerca de 50 vezes no relatório da Polícia Federal sobre os novos indícios que vinculam Alexandre de Moraes a Daniel Vorcaro. O ex-ministro de Jair Bolsonaro aparece em trocas de mensagens com o ex-banqueiro, facilitando encontros e marcando reuniões com o ministro. Também há uma cobrança dele sobre um pagamento atrasado do Master ao escritório de Viviane Barci de Moraes.

Jair Bolsonaro caminha com Alexandre de Moraes e Fábio Faria

Parece grave, mas Mendonça ainda não viu ilegalidade na conduta de Faria, que admite ter apresentado o banqueiro ao ministro do STF ainda em 2023, quando até a Globo fazia negócios com o Master. Ele também admite a recomendação sobre o pagamento e que sugeriu o escritório Barci de Moraes para atuar em um caso na Justiça de São Paulo envolvendo foi uma queixa-crime por calúnia, injúria e difamação contra o investidor Vladimir Timerman, gestor da Esh Capital.

 

O caso é a única ação judicial em que Viviane atuou de fato e perdeu.

 

 

Mendonça pode mudar de ideia, caso surjam indícios de crime, mas até agora não incluiu Faria na PET aberta sobre Moraes. Separar o joio do trigo é fundamental para garantir o sucesso de uma investigação inédita e absolutamente sensível. Nunca um ministro pediu a abertura de inquérito contra um colega de Corte, nem contra o PGR ou o diretor da PF. Misturar negócios públicos com privados é tudo o que os criminosos querem para parecerem menos criminosos.

 

A imprensa do pix, inclusive, já sacou a janela de oportunidade e resolveu explorar a atuação de Faria, com o objetivo de atrair a gestão de Jair Bolsonaro e reaquecer o caso Dark Horse, tragando Flávio Bolsonaro para a crise. Como se sabe, o Master tinha uma face pública legal para esconder as negociatas firmadas nos bastidores. Ao mesmo tempo em que Vorcaro mantinha uma parceria lucrativa com a Globo e Luciano Huck, comprava a atuação legislativa de Jaques Wagner, então líder do governo Lula.

 

Do ponto de vista político, a amizade de Faria com Moraes, algoz de Jair Bolsonaro, é no mínimo constrangedora e deve irritar muitos apoiadores do ex-presidente. Mas não é propriamente uma novidade. Seu papel no governo de Jair era justamente servir de interlocutor com ministros do Supremo, agentes econômicos e grupos de mídia. Essas relações levaram Faria, após o fim do governo, a trabalhar para André Esteves e Daniel Vorcaro. Pode não ser edificante, mas tampouco é ilegal.

 

De acordo com um assessor, Mendonça está focado mesmo na relação do ex-banqueiro com agentes públicos, especialmente com a atuação desses agentes, especialmente Moraes, para blindar o Master de investigações e fornecer informações privilegiadas, seja no âmbito criminal ou administrativo, o que poderia configurar em tese obstrução de justiça, além de tráfico de influência. As mensagens e contratos envolvendo Vorcaro e Moraes são indícios robustos de ilegalidades flagrantes. O sistema fará de tudo para impedir que esses indícios sejam investigados.

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