Offline
MENU
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/113401/slider/9f22fe65968d79b6f45efc1523e4c4aa.png
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/113401/slider/80a574611830c0240c40e4d3d91929b3.png
PF diz que análise do celular de Vorcaro não terminou
Publicado em 02/09/2026 12:01
Últimas Notícias

O relatório da Polícia Federal que revelou mensagens e registros envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não encerra a análise do material apreendido com o fundador do Banco Master.

Em mensagem, Vorcaro diz estar sofrendo 'extorsão'

A própria corporação afirma que o documento, de 218 páginas, entregue ao ministro André Mendonça em 27 de agosto, “não possui caráter exaustivo”. O trabalho foi realizado em 72 horas e analisou um dos celulares apreendidos de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero.

 

A PF afirma que, nesse período, transcreveu apenas as “menções nominais diretamente identificadas”. O relatório também admite a existência de “outras citações ou referências indiretas ainda não detectadas” pelos investigadores.

 

 

O documento registra ainda que os resultados podem ser alterados com o avanço das apurações. Segundo a corporação, novos relatórios poderão ser produzidos caso informações inicialmente consideradas sem relevância ganhem importância durante a investigação.

 

Outros celulares ainda serão analisados

O aparelho examinado pela PF não é o único celular apreendido com Vorcaro.

 

Em março, ao analisar a manutenção da prisão do banqueiro, André Mendonça informou que havia outros oito aparelhos a serem examinados. Cinco foram recolhidos na segunda fase da operação e três na terceira.

 

O relatório entregue em agosto não informa quantos desses equipamentos já passaram por perícia completa.

 

Nas considerações finais, a PF afirma que duas investigações relacionadas ao conteúdo encontrado estão em “estágio avançado”. Os trabalhos ainda dependem de análises bancárias e do exame de outros materiais apreendidos.

 

As oitivas já começaram. A previsão é de conclusão em até 60 dias.

 

 

 

Mensagens temporárias dificultam reconstrução

Outro fator apontado no relatório é o uso de recursos que apagam ou limitam o acesso às mensagens.

 

 

O contato salvo no celular de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA” passou a utilizar, em setembro de 2025, a configuração de mensagens temporárias, com exclusão automática após 24 horas.

 

Em novembro daquele ano, Vorcaro enviou cinco mensagens ao contato pelo recurso de visualização única. A perícia conseguiu recuperar os arquivos e associá-los aos registros do sistema, mas parte das conversas não pôde ser reconstruída integralmente.

 

A PF encontrou ainda 52 notas relacionadas ao método usado por Vorcaro. Ele escrevia textos no aplicativo Notas, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp.

 

Cinco dessas notas estavam no chat atribuído a Moraes. Outras 47 apresentavam o mesmo padrão em diferentes conversas do aparelho.

 

O relatório, porém, também reúne mensagens digitadas diretamente no WhatsApp, registros de chamadas e conversas com outros interlocutores.

 

PF não aprofundou investigação sobre magistrados

A corporação também fez uma ressalva sobre a análise envolvendo integrantes do Judiciário e do Ministério Público.

 

 

Por causa das regras aplicáveis a magistrados e membros do MP, a PF afirma que não realizou “quaisquer atos de aprofundamento investigativo” direcionados a essas autoridades.

 

Segundo os investigadores, o relatório apresenta dados e elementos que já estavam no acervo da Operação Compliance Zero.

 

A ressalva alcança Alexandre de Moraes e Paulo Gonet. O documento não permite, por si só, concluir que as autoridades mencionadas por Vorcaro tenham atendido a pedidos feitos pelo banqueiro ou cometido irregularidades.

 

Entre os registros está uma nota em que Vorcaro afirma ser necessário “reforçar com Andrei e Paulo”. Na mesma mensagem, diz que enviaria nomes de pessoas que estariam indo ao Banco Central. Pela análise do contexto, a PF aponta que as referências podem ser ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

 

Mendonça retirou sigilo do caso

O relatório foi entregue a Mendonça em 27 de agosto. Em 1º de setembro, o ministro retirou o sigilo da Petição 16.662, que reúne os novos elementos da investigação.

 

 

O jornalista Paulo Figueiredo chamou atenção para as limitações do documento e afirmou que novas informações podem aparecer com o avanço das perícias.

 

“Há uma boa razão para imaginarmos que Mendonça só colocou a cabecinha e vem muito mais por aí”

 

A própria PF registra no relatório que o trabalho realizado em 72 horas não representa uma análise definitiva de todo o material apreendido com Vorcaro.

 

Comentários
Comentário enviado com sucesso!