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O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, presta depoimento à Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (27), por videoconferência, no âmbito do inquérito que investiga os ex-servidores do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Souza e Bellini Santana. É o 1º depoimento de Vorcaro após a troca de toda a equipe de defesa.

A oitiva ocorre também depois que não avançaram as negociações para um acordo de delação premiada. Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes, havia sido detido na 1ª fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi solto dias depois por decisão do TRF-1.
O depoimento de hoje estava inicialmente marcado para 20 de agosto, mas foi adiado a pedido da defesa, que alegou precisar de mais tempo para estudar o caso.
Paulo Sérgio Souza e Bellini Santana são suspeitos de atuar como informantes de Vorcaro, recebendo pagamentos ilícitos em troca de informações privilegiadas do BC. Mensagens interceptadas indicam que os dois davam orientações estratégicas ao banqueiro durante o processo de aquisição do Master pelo BRB (Banco de Brasília).
Segundo a PF e o BC, os dois também são suspeitos de atuar para beneficiar Vorcaro em discussões internas sobre fiscalização, socorro financeiro e medidas que poderiam afetar o futuro da instituição.
As suspeitas ganharam força a partir de apurações do próprio BC e de depoimentos prestados à PF pelo diretor de Fiscalização da instituição, Ailton de Aquino. Segundo ele, as dúvidas sobre o Master surgiram no início de 2025, quando a instituição, embora enfrentasse dificuldades de liquidez, continuava realizando operações de cessão de crédito ao BRB em volumes bilionários.
Aquino relatou que uma equipe do Departamento de Monitoramento concluiu posteriormente que carteiras de crédito apresentadas pelo banco não existiam. A investigação interna levou o BC a comunicar o Ministério Público Federal, que repassou o caso à PF.
De acordo com o diretor, as suspeitas sobre as operações já haviam chegado à área de supervisão comandada por Bellini Santana e acompanhada por Paulo Sérgio. Ainda assim, os dois demonstravam resistência ao aprofundamento da fiscalização.
Questionado pela PF sobre essa postura, Aquino afirmou que, olhando os fatos em retrospecto, passou a se perguntar por que ambos resistiram ao avanço das investigações sobre as carteiras de crédito e por que defendiam que os problemas identificados poderiam ser solucionados em uma eventual fusão entre o Master e o BRB.
