
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a Polícia Federal (PF) a monitorar, por 10 dias, os celulares do senador Jaques Wagner (PT-BA) e de outros 5 investigados na Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão foi assinada em 17 de junho e teve o sigilo levantado ontem (30).

Mendonça acolheu parcialmente o pedido da PF e autorizou o monitoramento em tempo real de 6 investigados, entre eles o ex-líder do governo Lula no Senado e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio petista de Daniel Vorcaro no Master. O ministro do Supremo negou a medida para outros 4 alvos por entender que eles ainda não exercem papel central na investigação.
Segundo a decisão, os dados de geolocalização servirão para reconstituir deslocamentos, identificar encontros entre os investigados e mapear vínculos de comunicação. As informações também poderão embasar etapas posteriores da investigação, como apreensão de aparelhos e preservação de provas digitais.
Mendonça afirmou haver indícios de que os investigados recorreriam a ligações telefônicas, reuniões presenciais, aplicativos de mensagens temporárias e códigos em conversas para dificultar a produção de provas.
O magistrado também citou um episódio que, em sua avaliação, reforçou o risco de comprometimento da operação. Um dos investigados solicitou uma audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a PF protocolou os pedidos referentes a essa fase do inquérito, em 9 de junho.
“Trata-se de solicitação de audiência, por parte de um dos investigados, recebida pelo meu gabinete, enquanto Ministro relator do caso, no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal relacionadas à presente fase investigativa (09/06/2026), inclusive em horário anterior à distribuição de algumas das representações”, registrou o ministro.
Na decisão, o ministro ressaltou que a autorização não representa reconhecimento de culpa nem confirma a participação dos investigados nos fatos apurados. Segundo Mendonça, o acesso ao conteúdo das conversas permanece vedado, e a medida se limita à coleta de dados de localização e conexão para confirmar ou descartar vínculos com a investigação.
De acordo com a PF, Jaques Wagner é suspeito de receber propina para favorecer interesses do Master no Congresso. A investigação aponta que o ex-líder do governo Lula teria recebido um imóvel em Salvador, repasses para uma empresa da família e atuado em pautas de interesse da instituição, como o crédito consignado e a tentativa de aquisição do banco pelo BRB. O senador nega.
