
Após a federação União Progressista (União Brasil-PP) sinalizar neutralidade na disputa presidencial, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido não pretende lançar uma chapa pura ao Palácio do Planalto. Em entrevista ao O Globo, o dirigente defendeu a escolha de um candidato a vice de outra legenda, apesar das dificuldades para ampliar a aliança em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

Segundo Valdemar, entre os principais partidos do Centrão, apenas o Republicanos ainda não descartou apoio ao projeto do PL.
“Difícil (achar um vice), mas vamos descobrir”, disse.
O presidente do PL voltou a defender o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para compor a chapa presidencial, mesmo após a parlamentar e seu partido rejeitarem essa possibilidade.
Valdemar também descartou a substituição de Flávio Bolsonaro como candidato, mesmo diante de novos desgastes políticos, e afirmou que segue trabalhando para consolidar a candidatura.
Michelle é apontada como fator na campanha
Durante a entrevista, Valdemar afirmou que a resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em apoiar a candidatura de Flávio prejudicou a pré-campanha.
— Eu acho (que a Michelle vai ser candidata). Estou torcendo. Michelle tem tudo para ser eleita senadora. Quando ela falou que não queria ser candidata atrapalhou um pouco. Mas eu não tenho dúvida, não (de que vai ser candidata).
Segundo o dirigente, Michelle estaria disposta a disputar o Senado, mas espera uma manifestação de Flávio Bolsonaro.
“Eu estive com ela na semana passada. Ela está disposta, mas quer que o Flávio faça alguma coisa, que se manifeste.”
Valdemar também afirmou que considera importante uma reaproximação entre os dois, embora não acredite na presença da ex-primeira-dama na convenção nacional do partido.
“Queria que ela fosse à convenção, mas tudo bem. Precisa ver isso. É difícil. Problema de família é um inferno.”
Questionado sobre relatos de que Flávio concentra decisões da campanha em um grupo restrito e sobre uma suposta disputa interna com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, Valdemar reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo senador nas articulações políticas.
O presidente do PL também comentou as investigações conduzidas pela Polícia Federal e a decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em seus bens por suspeitas envolvendo emendas parlamentares. Ele negou irregularidades e criticou o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
