
Três membros do Ministério Público do Ceará (MP-CE) receberam R$ 44.409,39 em diárias e ajuda de custo para acompanhar a Copa do Mundo deste ano, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, que começa nesta quinta (11). O valor corresponde ao ressarcimento de despesas com alimentação, hospedagem e locomoção decorrentes de “eventual atividade funcional”.

Os beneficiados são os promotores Déric Funck Leite, titular da 49ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, e Wander de Almeida Timbó, titular da 15ª Promotoria de Justiça de Caucaia, além do procurador-geral de Justiça do Ceará, Herbet Gonçalves Santos.
Segundo o MP-CE, passagens aéreas, hospedagem e ingressos para os jogos serão pagos pelos próprios integrantes. As diárias têm como finalidade ressarcir despesas com alimentação, hospedagem e deslocamento decorrentes de atividades funcionais ou institucionais.
Portaria publicada em 28 de maio autorizou o pagamento de seis diárias e ajuda de custo para Déric Funck Leite e Wander de Almeida Timbó. O documento foi assinado pelo subprocurador-geral de Justiça de Administração, Francisco Diassis Alves Leitão.
Os dois acompanharão a competição entre 19 e 25 de junho. Cada um recebeu seis diárias de 485 dólares. Pela cotação do Banco Central utilizada na data da autorização, cada diária correspondeu a R$ 2.453,08. Os promotores também receberam ajuda de custo de R$ 200 cada. O gasto total com ambos foi de R$ 29.836,98.
Eles integram o Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor, órgão do MP-CE responsável pelo acompanhamento e fiscalização de eventos esportivos.
A autorização prevê a participação dos promotores como “observadores” da Copa, “visando ao acompanhamento de protocolos de segurança, gestão operacional e organização de eventos de grande porte, com vistas à futura aplicação no contexto da Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil”.
Já o procurador-geral de Justiça do Ceará, Herbet Gonçalves Santos, recebeu R$ 14.572,41 em seis diárias para viajar a Dallas, nos Estados Unidos, onde participará do evento Preparação da Copa do Mundo Feminina FIFA 2027. A atividade ocorre entre 1º e 6 de julho. Santos não recebeu ajuda de custo.
O MP-CE afirmou ao jornal O Estadão que “a agenda possui caráter institucional e técnico, voltada ao acompanhamento de protocolos de segurança, gestão de multidões, prevenção de conflitos e articulação entre órgãos de segurança e entidades responsáveis pela organização dos eventos esportivos internacionais”.
Segundo a instituição, “as experiências observadas servirão de subsídio para o planejamento e aperfeiçoamento das ações relacionadas à realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027, da qual Fortaleza será uma das cidades-sede”.
O órgão também informou que os integrantes participarão de visitas técnicas e reuniões com instituições policiais, incluindo o Miami Police Department e o Dallas Police Department, “com o objetivo de conhecer protocolos de segurança, estratégias de prevenção à violência e modelos de atuação integrada empregados em grandes eventos internacionais”.
O MP-CE afirmou ainda que “esse tipo de atuação institucional já é realizado de forma regular e frequente por membros do Ministério Público em grandes eventos esportivos promovidos no Brasil, especialmente em ações relacionadas à segurança dos torcedores, prevenção da violência e integração entre instituições públicas responsáveis pela realização das competições”.
Os três representantes do MP-CE integram a Comissão Nacional do Grupo Nacional de Combate à Violência nos Estádios, criada pelo Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG) para acompanhar a realização da Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027.
Segundo a assessoria do órgão, Santos participa das atividades na condição de presidente da comissão. “A atuação envolve interlocução com representantes do sistema de Justiça, órgãos de segurança pública e entidades responsáveis pela organização das competições”.
O MP-CE informou ainda que integrantes de outros Ministérios Públicos estaduais também participarão da Copa do Mundo deste ano em nome da comissão nacional. Procurado, o CNPG não se manifestou.
