
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinalizou a aliados que não pretende travar nem acelerar a tramitação da PEC do fim da escala 6×1 aprovada pela Câmara dos Deputados. O rito da proposta, porém, ainda não foi definido na Casa.

Segundo relatos obtidos junto a lideranças do PP e do União Brasil, Alcolumbre afirmou que deixará o texto seguir seu curso regimental no Senado, sem intervenção direta para retardar ou acelerar a análise.
Nos bastidores, o presidente da Câmara, Hugo Motta, conversou ao menos três vezes nos últimos dias com Alcolumbre sobre a tramitação da proposta aprovada pelos deputados.
A movimentação no Senado ganhou força após uma conversa entre o deputado Marcel van Hattem e Alcolumbre. Depois do encontro, o senador Rogério Marinho protocolou uma PEC alternativa prevendo flexibilização da jornada de trabalho por meio de negociação entre empresas e trabalhadores.
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De acordo com interlocutores, Alcolumbre afirmou a Van Hattem que despacharia imediatamente a proposta para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
“Acho que no Senado temos alguma chance de melhorar”, afirmou um interlocutor envolvido nas negociações sobre o texto.
A PEC de Rogério Marinho foi apresentada na madrugada desta quinta-feira (28), poucas horas após a Câmara aprovar a proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e substitui a escala 6×1 pelo regime 5×2.
O texto protocolado pelo líder da oposição no Senado estabelece possibilidade de negociação da carga horária entre patrões e empregados.
A proposta recebeu 36 assinaturas, acima do mínimo de 27 exigidas para apresentação de PECs no Senado. Entre os signatários estão Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Hamilton Mourão, Sergio Moro, Damares Alves e Tereza Cristina.
Mais cedo, Marcel van Hattem afirmou que a proposta seria levada ao Senado para corrigir o que classificou como uma “injustiça” aprovada pela Câmara.
A PEC do fim da escala 6×1 passou na Câmara com ampla maioria. Em primeiro turno, foram 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo turno, o texto recebeu 461 votos a favor e 19 contra.
Apesar da articulação da oposição no Senado, integrantes da base governista avaliam reservadamente que o ambiente eleitoral dificultará qualquer tentativa de barrar a proposta. Segundo relatos de parlamentares, o Planalto trabalha com a expectativa de que senadores evitem assumir o desgaste político de rejeitar a medida às vésperas da disputa de 2026.
