
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram na manhã desta quarta-feira (27) nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga o esquema criminoso de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas constritivas, autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba.
Nesta fase, de acordo com a PF, a Sem Desconto “tem como finalidade aprofundar as investigações que visam esclarecer a prática de diversos crimes contra a Administração Pública, tais como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e de dilapidação patrimonial”.
A operação desta quarta-feira mira diferentes núcleos regionais suspeitos de participação nas fraudes contra aposentados e pensionistas. Os alvos estão distribuídos entre Brasília, São Paulo e Garanhuns (PE). Entre as entidades investigadas estão Unibap, em Brasília; Abenprev-SP; Amar Brasil Clube de Benefícios; Master Prev; Aasap; e Aandapp.
Em Brasília, as entidades UNIBAP e ABENPREV são investigadas por suspeitas de descontos aplicados diretamente em benefícios previdenciários após acordos de cooperação assinados com o INSS em 2021 e 2023.
Entre os investigados estão Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho, apontados como ligados à administração das associações e à articulação do esquema investigado.
Também aparecem nas apurações Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber, Alexandre Caetano e Carlos Henrique da Rocha Gonçalves. Segundo a investigação, eles atuariam como operadores e intermediários da estrutura financeira e operacional do esquema.
Em São Paulo, a investigação mira um grupo conhecido como “Golden Boys”, ligado às entidades Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, AASAP e ANDAPP. Entre os investigados estão Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos, apontados como responsáveis pela estrutura e gestão das associações investigadas. Parte dos alvos já responde a medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.
Em Garanhuns, no interior de Pernambuco, a investigação se concentra em servidores e ex-servidores do INSS. Os principais alvos são Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria e da Superintendência Regional do Nordeste, e Everaldo Felício de Macedo Júnior, ex-gerente executivo do INSS no município.
Segundo as investigações, Rogério teria ligação com a ABAPEN, entidade que recebeu cerca de R$ 70,9 milhões em descontos ao longo de 2024. Desse total, pelo menos R$ 24,7 milhões teriam sido destinados a empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo, mais conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos operadores do esquema.
