
A 6ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que prendeu nesta manhã (14) Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, mirou integrantes de um esquema suspeito de obter informações sigilosas e invadir sistemas governamentais para beneficiar o dono do Banco Master.

Além de Henrique Vorcaro, foram alvos da operação Valéria Vieira Pereira da Silva, Francisco José Pereira da Silva, David Henrique Alves, Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, Manoel Mendes Rodrigues, Anderson Wander da Silva Lima, Sebastião Monteiro Júnior, Erlene Nonato Lacerda, Helder Alves de Lima e Katherine Venâncio Telles.
Entre os investigados estão integrantes da própria Polícia Federal. A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada do cargo por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável por autorizar a operação de hoje.
O marido dela, Francisco José Pereira da Silva, foi preso nesta quinta-feira. Ambos atuavam no Rio de Janeiro.
Segundo a PF, os dois repassavam informações sigilosas da corporação para Daniel Vorcaro, atualmente preso.
Também aparecem entre os investigados o policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior; o agente da ativa Anderson Wander da Silva Lima, lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro; além da própria delegada Valéria e de Francisco José Pereira da Silva, descrito na investigação como policial federal aposentado.
De acordo com a PF, os investigados integravam o grupo “A Turma” de Vorcaro, apontado como estrutura responsável por vazamento de informações, intimidação e acesso ilegal a sistemas restritos. O grupo seria liderado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e contaria com a participação de agentes da ativa e de uma delegada da corporação.
Segundo a decisão de Mendonça, o núcleo era “voltado à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais”.
As investigações da PF apontam que Valéria e Francisco atuavam no repasse de informações sigilosas a Marilson Roseno por meio de consultas no sistema e-Pol, plataforma interna usada pela PF.
A decisão também cita Manoel Mendes Rodrigues, apontado como “empresário do jogo” do bicho no Rio de Janeiro e suspeito de liderar um braço local do grupo de Vorcaro.
Segundo a PF, a organização do dono do Master conseguiu se infiltrar em “circuitos informacionais sensíveis”, utilizando pessoas com acesso funcional para facilitar a circulação de recursos financeiros e dados sigilosos em benefício da estrutura criminosa.
Outro núcleo investigado na ação de hoje é chamado de “Os Meninos”. Segundo a PF, o grupo de Vorcaro tinha perfil tecnológico e atuava em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal.
De acordo com os investigadores, os dois grupos também eram coordenados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como responsável por executar ordens do “núcleo central da organização criminosa” de Vorcaro e que cometeu suicídio recentemente.
A PF afirma que Henrique Vorcaro era responsável por demandar serviços e realizar pagamentos aos integrantes dos núcleos, onde, segundo a investigação, eram combinados crimes de coação e vazamento de informações sigilosas.
