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Congresso debate minerais críticos, mas esquece Custo Brasil
Publicado em 05/05/2026 10:47
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O Congresso Nacional debate o projeto de lei que regula a exploração de minerais críticos. Mas enquanto Brasília se perde em discussões circulares sobre arrecadação, o mundo está travando uma guerra silenciosa pelo que há de mais valioso hoje: o controle dos minerais que vão mover os motores da transição energética. Se você acha que mineração é apenas cavar buraco e carregar navio, você não entendeu nada sobre a geopolítica de 2026.

 

Congresso debate Minerais Críticos

Existem três modelos de jogo no planeta, e o Brasil, como de costume, está sentado em cima de uma fortuna, mas com os pés amarrados por uma burocracia que parece desenhada para nos manter na periferia do capitalismo.

 

O Triângulo de Ferro (e Lítio)

 

 

Nos EUA, o modelo é o da “corrida do ouro” moderna. Lá, se você tem a terra, você tem o minério. É o capitalismo na veia: negociação direta, agilidade e um Estado que só entra para garantir que a concorrência funcione. O resultado? Estão correndo para reverter a dependência externa com uma velocidade que só o lucro privado consegue imprimir.

 

Na China, o papo é outro. O minério lá é arma de Estado. Pequim não quer apenas o seu imposto; ela quer o seu mercado. Eles centralizaram tudo sob um “Imposto sobre Recursos” que é, na verdade, uma coleira. Se o mundo precisa de Terras Raras — e o mundo precisa, para tudo, de iPhone a mísseis —, a China abre ou fecha a torneira conforme seus interesses diplomáticos. É o modelo do “minério estratégico”.

 

E o Brasil? Nós temos a CFEM. O Estado é o dono, a empresa extrai e paga uma “pedofia” para a União, estados e municípios. É um modelo de repartição de bolo. O problema é que o Brasil se viciou em ser o “fazendeiro mineral”. A gente exporta terra com ferro e importa aço; exporta espodumênio e importa bateria de lítio.

 

Por que a verticalização sempre “deu xabu”?

 

A tentativa brasileira de industrializar sempre esbarrou no mesmo muro: o Custo Brasil. A Lei Kandir desonera a exportação de commodity (o que é ótimo para o agronegócio e mineradoras), mas o nosso sistema tributário pune quem tenta transformar esse minério em algo mais complexo. Processar lítio no Jequitinhonha ou separar terras raras em Goiás custa uma fortuna em energia, logística de terceiro mundo e impostos em cascata. O resultado? É mais barato mandar o minério bruto para a China e comprar o ímã de volta.

 

 

A Saída: O “Refino Verde” ou o Abismo

 

A janela de oportunidade abriu em 2026. O mundo está desesperado por minerais que não venham com o “selo de sangue” ou de destruição ambiental da Ásia.

 

A alternativa viável não é tentar construir um “Tesla brasileiro” da noite para o dia — isso é delírio desenvolvimentista que já quebrou o país. A jogada real é o Elo Intermediário. O Brasil precisa se tornar o Hub Global de Refino Sustentável.

 

Temos a energia limpa que a Europa exige. O que falta?

 

Segurança Jurídica: Parar de mudar a regra do jogo a cada troca de governo.

Incentivo no lugar certo: O novo Fundo de R$ 5 bilhões para minerais críticos precisa ir para tecnologia de separação química, não para burocrata.

Friendshoring: Usar nossas reservas como moeda de troca. Quer nosso lítio? Então monte a planta de processamento de carbonato aqui, e não no Texas.

O resumo da ópera é claro: ou o Brasil assume o protagonismo técnico da cadeia mineral, ou continuaremos sendo o país que tem o tesouro no quintal, mas precisa pedir licença (e pagar caro) para usar a chave.

 

A pergunta que fica para os iluminados de Brasília é: vamos ser sócios da nova economia ou apenas o almoxarifado da China?

 

Quer saber quem são os grupos políticos que estão tentando colocar a mão nesse novo fundo de R$ 5 bilhões? É só acompanhar o próximo movimento no Congresso.

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